Herdeiro do Caos

A revolução será remixada…

Author Archive

#intercom2010 jornalismo colaborativo em debate (parte 2)

Posted by admin

Apresentamos (eu e o Jorge Rocha, vulgo @exucaveiracover) no #gpciber do Intercom o artigo o webjornalista e a configuração de uma (nova) esfera pública comunicacional. A ideia básica é que a configuração de uma esfera pública comunicacional baseada em espaço relacionais e mediações conversacionais implica para o Jornalismo novas estratégias discursivas e produtivas em ecossistemas digitais.

No artigo buscamos evidenciar um maior embasamento teórico que oriente um modelo de atuação do jornalista em ambientes digitais relacionais e colaborativos, partindo do conceito de cartografia da informação e associando-o ao modelo News Diamond. Tal reconfiguração do papel do jornalista como mediador interacional está correlacionada com uma potencialização dos modelos de Jornalismo Colaborativo, buscando integração de ferramentas hipermidiáticas como redes sociais, em seu fazer produtivo.

Foi um bom debate e considerações bem interessantes sobre o artigo, que, certamente, auxiliarão o pensamento sobre o jornalismo colaborativo. Como digo sempre, o melhor dos eventos é a “materialização do avatar”, conhecer a turma pessoalmente e trocar ideias sobre as temáticas abordadas aqui no blog. Tem outros registros lá no Twitter.

O link para o artigo é esse e abaixo a apresentação realizado no #gpciber do #intercom2010

07

setembro
2010
Time: 20:54

#intercom2010: jornalismo colaborativo e jogos sociais (parte 1)

Posted by admin

A oficina “Jornalismo cidadão: o uso da tecnologia móvel na reconfiguração dos espaços urbanos” marcou o início da minha terceira participação no Intercom, que neste ano acontece na agradável e repleta de neblina, Caxias do Sul (RS).

A oficina foi ministrada pela Sandra Henriques (PUCRS), que falou sobre pós-modernidade, sendo a fluidez a “regra” das associações tribais e “vontade/necessidade de pertencimento” o elemento regulador dessas associações. A fala da pesquisadora fora bem influenciada pela tese do Maffesoli, de como o desejo da existência é potencializado pelas tecnologias, assim como a construção de laços entre as redes sociais.

Henriques destacou como os laços fracos são importantes para a ampliação das redes sociais, pois muitas vezes é um contato efêmero (conhecer alguém em uma festa, por exemplo) que se alonga os seguidores. Retomando Maffesoli, “O sentimento de pertencimento nos une a um lugar (tribos urbanas)” e tal sentimento, ou melhor, o sentido do espaço urbano é reconfigurado, a partir da interação dos espaços físicos e virtual, mediado por tecnologia móveis (conceito de mídia locativa do André Lemos).

A pesquisadora apresentou alguns vídeos de smart mobs e projetos colaborativos, e aí uma moça fala algo brilhante: não se pode pensar em jornalismo colaborativo sem se pensar na comunidade, nas necessidades do “local” e, eu disse mais:  “Não existirá jornalismo sem a colaboração dos usuários”. Esse debate partiu do questionamento dos critérios de noticiabilidade do jornalismo colaborativo, baseado, sobretudo na onipresença dos cidadãos e exploração da participação em tragédias e tsunamis. Algo que precisamos mudar, mas aí é assunto para outro post.

Na volta do recreio, digo do almoço, fui na oficina “Análise e desenvolvimento de jogos sociais” do Thiago Falcão (POSCOM/UFBA) e Tarcizio Silva (POSCOM/UFBA). “Os jogos geram novas camadas de contextos”, disse o Falcão, que apresentou também 5 passos para sucesso dos bens virtuais (bens virtuais = itens digitais + contexto + significação + interação social), a saber:

(1) criação baseada no contexto;
(2) estimular o uso com bens gratuitos ou moeda virtual;
(3) desenvolva a demanda por conteúdo premium;
(4) renove o estoque (a ser trocada por pontos ou $$$);
(5) facilite a compra da moeda virtual.

A base da fala do Falcão está aqui

A fala do Tarcízio foi baseada em dados e diversas experiências práticas, mais na área de mercado, da utilização de jogos como ação de propaganda, agências de desenvolvimento e/ou gerenciamento dos games, o que deixou claro como o mercado de jogos sociais é algo interessante e…lucrativo. Vale dar uma olhada depois no perfil dos cabras para conferir os slides da apresentação, que ficou de subir para Web em breve.

Outros registros estão no Twitter. Daqui a pouco a cobertura segue ao longo do dia no #intercom2010

04

setembro
2010
Time: 1:11

Desafio da mídia é atrair a atenção do leitor, diz editor-chefe da ‘The Economist’

Posted by admin

O programa  Milênio desta segunda-feira entrevistou o jornalista, historiador e editor-chefe da revista britânica The Economist, John Micklethwait sobre a situação do mercado do impresso. A entrevista é salutar, tendo em vista as teses apocalípticas de fim dos jornais impressos e anúncios de falência de diversas publicações importantes.

A The Economist vende 1 milhãos e 400 mil exemplares por semana e vai na contra-mão da crise mundial dos veículos impressos. Questionado sobre o equlibrio entre impresso e online, Micklethwait acredita que os leitores eletrônicos serão um diferencial, isso porque eles proporcionam a mesma sensação ao ler uma revista no papel: admirar, ou simplesmentes, quando se lê uma revista as pessoas se inclinam para trás e, segundo ele, os leitores eletrônicos resgatam esse hábito.

Para Micklethwait a grande luta da imprensa, atualmente, é pelo tempo das pessoas, em como tornar o seu produto agradável para ser folheado por 1h ou 20 mim. A “receita” do sucesso da publicação você acompanha na entrevista divida em dois blocos (aqui e aqui - deu erro no embed da Globo.com, por isso direciono o link para lá), que ainda aborda a relação entre mídia e política, mídia e Justiça.

24

agosto
2010
Time: 12:45

BCC cria ferramenta para melhorar visualização de dados

Posted by admin

Uma das primeiras lições que se aprende em uma faculdade de jornalismo é “o texto deve ser claro e de fácil entendimento para o público”. Tarefa simples, mas quando a pauta é sobre números ou o foco da notícia implica uma questão númerica e/ou quantidade a situação se torna um pouco mais complexa.

Como facilitar o entendimento do leitor em uma matéria onde consta: “Ao menos 5.000 barris de petróleo estão vazando diariamente no Golfo do México”? Experiência bacana para oferecer uma saída para tal desafio é o Dimensions, ferramenta de visualização elaborada (ainda em desenvolvimento) pela BBC em parceria com a agência Berg.

O objetivo da ferramenta  é criar visualizações interativas de forma mais rápida e agilizar o trabalho daredação, uma vez que os infográficos possuem um potencial para melhorar as narrativas jornalísticas. Em um rápido exercício com o Dimensions é possivel notar que a dimensão ou grandeza de um evento ou dado se adequa/aproxima da minha realidade espacial, por exemplo. Sim, o Dimensions segue a mesma dinâmica do IfItWasMyHome.

Vale dar uma olhada no post do PDA (crédito da foto) sobre o Dimensions

23

agosto
2010
Time: 15:53

Los Angeles Times aposta em mapeamento colaborativo para elaborar cartografia de bairros

Posted by admin

O Los Angeles Times desenvolve um projeto “Bairros” interessante de mapeamento colaborativo com estatísticas e informações sobre bairros de Los Angeles. Além de informações sobre a quantidade escolas, demografia, renda dos habitantes, o jornal indexa também as notícias sobre cada bairro elaborada pelo veículo e em breve irá adicionar dados da criminalidade por área.

De acordo com Los Angeles Times o projeto é inteiramente desenvolvido em software livre (Django, jQuery, OpenLayers e PostgreSQL) . A base de dados também foi disponibilizada  (API aberta) para os usuários sob uma licença de uso livre para remix e compartilhamento.

Crédito Foto: Google Maps Mania

23

agosto
2010
Time: 15:24

Uso das Redes Sociais nas Eleições

Posted by admin

O programa Cidadania da Agência Senado entrevistou na última semana o Pedro Sorrentino, diretor do documentário Obama Digital, acerca do uso das redes sociais nas eleições. Não há muita novidade na fala do entrevistado , mas serve como um resumo da relação entre a esfera política e as mídias sociais (muito bem abordada) e uma comparação entre o que houve nos Estados Unidos e no Brasil.

Os dois primeiros vídeos são da entrevista e o terceiro (para quem ainda não viu) o documentário #ObamaDigital.

Obama Digital #obamadigital from Obama Digital on Vimeo.

16

agosto
2010
Time: 16:01

O sigilo da fonte e o jornalismo

Posted by admin

“O Sigilo da Fonte de Informação: Um Direito Fundamental à Prática do Jornalismo” foi a tese defendida por Walléria Barros Marques Linhares ao programa de pós-graduação da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pauta do debate no programa Academia, da TV Justiça. O vídeo tem quase uma hora de duração, portanto seja o caso de guardá-lo para uma eventual consulta.

No Brasil, o art. 5º da Constituição Federal (em especial o inciso 14) garante a preservação da identidade da fonte de informação na atividade jornalística. De acordo com Walléria Barros, o sigilo da fonte está presente na legislação brasileira e, que, por conseguinte é essencial para a prática do jornalismo.

Porém, o sigilo da fonte é um Direito Fundamental e não absoluto, portanto pode ser relativizado com outros direitos fundamentais, o que para a pesquisadora indica que em alguns casos o sigilo, apesar de essencial para a prática jornalística, pode ser revelado.

O sigilo, e a professora destaca isso em sua apresentação, beneficia tanto o jornalista como a própria fonte. Para ela, não cabe à Justiça definir os casos em que a fonte deve ser revelada ou não.”A fonte, ao dar uma informação precisa de garantia também quanto ao sigilo”. Para o professor de Direito Constitucional da Universidade Católica de Brasília Paulo Abrão Pires Junior, um dos debatedores no programa, o direito ao sigilo da fonte deve estar articulado aos Direitos Humanos, pois segundo ele, esse processo consolida a liberdade de expressão e proteção aos jornalistas.

11

agosto
2010
Time: 16:12

E se as buscas não fossem estruturadas apenas em palavras?

Posted by admin

Os dados, seja a sua classificação, estrutura e consulta, passaram a fazer sentido para mim após o trabalho na Ouvidoria Geral do Estado. Por aqui trabalhamos na versão web do sistema e na estruturação da base de dados com o objetivo de produzir relatórios mais detalhados e fidedignos para orientar a administração pública. O grande desafio é como transformar milhares de manifestações realizadas pelos cidadãos em relatórios gerenciais, que tipo de dados solicitar ao manifestante e como organizar essa árvore de forma que ela dê bons frutos (em nosso caso: dados)

Assim como na maioria dos sistemas de busca, a nossa consulta dar-se, sobretudo pela palavra, desse modo podemos saber que o principal problema do Estado está localizado na Secretaria X e deste total Y diz respeito a problemas administrativos. São dados importantes, mas qual o problema real? E como resolvê-lo? Respostas para essas questão só na mão grande, o que significa ler manifestação por manifestação (o problema é que são 8 mil/mês). E aqui é o nosso desafio: como estruturar todos esses dados de forma relevante e, prática. Comento o resultado dessa aventura em outro post depois.

Deixando o jabá de lado, o objetivo mesmo deste post é falar da concepção de busca, baseado em Web Semântica elaborado pela Metaweb. A turma da Metaweb apostou no relacionamento entre as “coisas” , seja áudio, imagens, texto, vídeo e o mecanismo para organizá-lo em box. Nesse modelo, (mais detalhes no video abaixo) os sistemas de buscas tornam-se mais relevantes e mais rápidos. Quem também teve essa compreensão foi a Google, que comprou a Metaweb em julho desse ano.

10

agosto
2010
Time: 12:26

Poder de compra do poder público pode tornar o mercado mais verde

Posted by admin

Entre 10 a 15% do PIB brasileiro é destinado às compras públicas, o que torna o Governo Federal um dos maiores clientes das empresas privadas, seja no atacado ou no varejo, quer na área de móveis para escritório ou produtos eletrônicos. A cifra permite a administração pública um poder de barganha gigantesco, assim como pressionar o setor privado no sentido de produzir equipamentos e tecnologias verdes.

Sem devaneios defende-se aqui que o Estado, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, elabore políticas de compras públicas sustentáveis, baseadas no conceito de tecnologia verde. Esse poder de compra torna-se ainda mais relevante a partir do momento em que o país ainda não conta com uma legislação de licitações e contratos

Como falar de meio ambiente significa falar de previsões apocalípticas, permita-me o leitor citar apenas uma. Relatório da World Wildligre Fund (WWF) destaca que em 2050 serão necessários dois planetas Terra para atender a demanda da humanidade, uma vez que, anualmente, o homem consome 25% a mais de recursos naturais do que o nosso planeta azul é capaz de suportar.

Dito isso, política de compras orientadas para sustentabilidade é de grande valia para minimizar as ações predatórias do homem por sob a Terra. A boa notícia é que no Brasil, ainda que não sejamos a maior referência e nem tenhamos as práticas mais avançadas, desde 2006 o Governo Federal tem criado (no gerúndio mesmo) procedimentos para a aquisição de bens, serviços ou obras norteadas por critérios ambientais como condição sine qua non para compra.

Ana Maria Vieira, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informaçao (SLTI) do Ministério do Planejamento do Governo Federal (Brasil), apresentou no último Congresso do CLAD as experiências do Brasil nesta área. Segundo ela, a administração pública deve utilizar o poder de compra do Estado para pressionar o mercado a produzir equipamentos verdes e que causem menor impacto ao meio ambiente.

“É necessário mudar o paradigma de que os governos precisam comprar o mais rápido possível e ao menor preço. O ideal é comprar de quem produz pensando no meio ambiente, que gere empregos e faça a diferença para o desenvolvimento do país”, opina.

Para se ter uma ideia do tamanho do poder de compra do Estado, no que tange a compra de equipamentos eletrônicos, para focar na temática abordada nesta edição da Espírito Livre, o governo federal gastou 719 milhões em 2008. Foram adquiridos 312.957 computadores (de diferentes modelos e marcas) nesse período. Assusta também que diante das verbas destinadas à compra de “tecnologias” o Estado não tenha criado também uma legislação que defina claramente o destino das sucatas digital, bem como os responsáveis pela coleta e tratamento do lixo eletrônico.

Teresa Uca da Plataforma Regional de Residuos Electrónicos en Latinoamérica y el Caribe (RELAC)), destaca que não existe nenhuma política na América Latina que oriente  destino final dos computadores e demais equipamentos eletrônicos. Para Uca, o debate precisa ser reconfigurado “Não podemos pensar apenas em inclusão digital, é preciso pensar o que fazer com os PC`s produzidos e o destino que eles terão”.

Compras e o meio ambiente

A Lei de Licitações e Contratos vigente no Brasil não considera a questão do meio ambiente como uma preocupação legislativa e nem prevê critérios ambientais para orientar a compra de bens ou contratação de serviços pela administração pública. Entretanto, essa barreira jurídica precisa ser rompida e um elemento importante seria a aprovação do PLC 32/2007, que tramita no Congresso Nacional desde maio de 2007.  O projeto de autoria do executivo federal altera dispositivos da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamenta o inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal; institui normas para licitações e contratos da Administração Pública; e dá outras providências.

O projeto é bem complexo e abrangente, por isso vale destacar as propostas que versam diretamente com o foco deste artigo e a temática da revista. O projeto prevê a adoção de critérios sustentáveis na contração de serviços ou na aquisição de bens, bem como priorizar a compra de produtos de menor impacto ambiental. Os bens devem ser compostos por material reciclado, biodegradável e/ou atóxico e devem ser facilmente reutilizados.

Outro proposta deveras interessante é a mudança do artigo da Lei no 8.666 de 1993 – de acordo com esse artigo o poder público deve selecionar a proposta mais vantajosa, porém o que acontece na prática é que muitas vezes o Estado compra barato e mal. A nova proposta sinaliza que os critérios de sustentabilidade ambiental devem ser requisito obrigatório na contratação. O preço, nesta concepção, é relativizado, pois nem sempre o mais barato significa a melhor compra, tanto em termos de gastos como em quesitos ambientais. A ideia é que os gestores avaliem as vantagens e desvantagens dos produtos/serviços durante o uso e após o descarte, considerando assim todo o processo, da fabricação até o descarte final do bem.

Por fim, propõe-se ainda que as especificações das licitações, baseadas em critérios verdes sejam divulgadas no site Comprasnet – portal do Governo Federal de contratações públicas, aumentando a transparência dos gastos públicos assim como contribui para a orientação da cultura de compras sustentáveis junto aos estados e municípios. Por outro lado, a definição dos critérios de sustentabilidade para a aquisição de “tecnologias verdes” orienta o setor privado na produção de novos produtos baseados em parâmetros de preservação do meio ambiente.

Prova de que a lei deve estar a serviço e os processos de compra e/ou licitatórios podem ser utilizados como armas para o desenvolvimento sustentável foi a aprovação da Lei nº 12.187, de 29 de novembro de 2009, que adota o poder de compra do Estado como importante instrumento para fomentar a política de mudanças climáticas, a saber:

“Art. 6o São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:


XII – as medidas existentes, ou a serem criadas, que estimulem o desenvolvimento de processos e tecnologias, que contribuam para a redução de emissões e remoções de gases de efeito estufa, bem como para a adaptação, dentre as quais o estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão, outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais, para as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos;”

Outros exemplos que merecem destaque é a experiência do “selo verde” desenvolvida pela USP, que já começou a recomendar em suas licitações para compra de computadores, produtos com alta taxa de reciclabilidade, livres de chumbo e com alta eficiência energética. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão criou o hotsite Contratações Públicas Sustentáveis com artigos, dicas, cartilhas e demais informações para orientar o uso do poder de compra na potencialização do desenvolvimento sustentável. No portal existe também um catálogo com bens baseados em tecnologia verde já cadastrados no Sistema de Compra do Governo Federal.

O Estado não é um consumidor qualquer, o seu poder de compra deve ser utilizado para desenvolver políticas públicas, pressionar o mercado para atender as demandas sociais e ambientais, principalmente na seara de compra de equipamentos eletrônicos e, como recomenda os guias de administração, maximizar os recursos públicos para o desenvolvimento sustentável da sociedade. O poder de compra do Estado, vale ressaltar de 10 a 15% do PIB, é capaz de induzir padrões de produção de bens e contratação sinalizando para o setor privado a necessidade de produzir produtos baseados em tecnologias verdes.

* Artigo escrito para Revista Espírito Livre (ed.17)

06

agosto
2010
Time: 21:31

Memória de Ouro: projeto resgata história dos jornais em Jacobina (Bahia)

Posted by admin

Memória de Ouro é fruto da pesquisa acadêmica da jornalista Kívia Souza, cujo objetivo é resgatar a memória dos jornais publicados na cidade de Jacobina que fica a cerca de 330 km de Salvador. O Memória de Ouro é um acervo digital da imprensa da cidade onde é possível acompanhar a evolução dos jornais e a sua história. A memória jornalística, como já destaquei em um post anterior, é fundamental para a compreensão do jornalismo que fazemos atualmente, bem como os desafios futuros.

O projeto da Kívia é pioneiro e soma-se a iniciativas como o livro “Apontamentos para a história da imprensa na Bahia” na preservação da memória dos jornais baianos. Visitar o Memória de Ouro é obrigação para quem busca entender a história do jornalismo no estado.

Abaixo uma entrevista que fiz com a idealizadora do Memória de Ouro.

Yuri Almeida - Como surgiu a ideia do projeto? Quanto tempo foi dedicado?

Kívia Souza - A idéia nasceu em um momento de necessidade de material para pesquisa. Inicialmente tinha o interesse de fazer meu trabalho de conclusão de curso sobre um cinema antigo e extinto da cidade de Jacobina, o Cine Payayá. Porém, a única fonte impressa para pesquisa eram os jornais da época e um livro que conta a trajetória histórica do município e citava o tema. Pesquisando, descobri que na cidade havia mais que dois ou três jornais partidários que nasceram de interesses políticos, em épocas de eleições. Apesar de toda política envolvida, a imprensa de Jacobina participou e sentiu o impacto dos principais fatos históricos do país e do estado.

Isso me fascinou. Quis saber mais, mas não tinha onde procurar. Daí pensei no Memória de Ouro. Um livro que contasse toda a trajetória dos jornais que registraram a história do município. Precisei estar na cidade para ter contato com o material de pesquisa, que ainda tem difícil acesso. Foram três viagens para Jacobina dentro de um período de seis meses, dedicando cerca de cinco dias em cada viagem.

YA - Quais foram as fontes de pesquisa e como você avalia o acesso aos documentos históricos?

KV - O acervo do Arquivo Público Municipal de Jacobina foi encontrado ainda incompleto, pois não foi instituída, ainda, pela administração local, uma forma segura para conservação dos periódicos que lá circularam.

A maioria do acervo está arquivada de forma incorreta. Muitos jornais estão em se decompondo naturalmente. Alguns [poucos] foram digitalizados pelas famílias dos proprietários. Porém, a dificuldade em encontrar os dados necessários aplicados na metodologia persistiu.

O pouco tempo disponível para a pesquisa de campo, o desfalque no acervo e a ausência de familiares responsáveis pelas primeiras publicações, como A Primavera, O Centro e O Ideal, prejudicou o aprofundamento da pesquisa. Por conta disso foi priorizado o uso das imagens e das próprias edições para confirmar dados históricos.

Então, o projeto se materializou em um blog, com a idéia do acervo digital. Assim fica mais fácil explorar todo o material colaborativo que venha surgir dos próprios moradores, colecionadores, pesquisadores e familiares dos proprietários desses jornais.

YA - O que mudou para você, principalmente, no exercício do jornalismo, o estudo da memória dos jornais de Jacobina? Me parece que quanto maior o nosso conhecimento histórico sobre a evolução dos jornais mais fácil também se torna entender a nossa profissão.

KV- Mais fácil entender e mais fácil fazer. Foi com o Memória de Ouro que pude assimilar a relevância da história da imprensa. Principalmente, quando diz respeito a minha realidade. Dedicação de tempo para apurar e escrever deveria ser lei. Não basta saber, é preciso sentir para expressar. Pode até parecer clichê, mas essa é a essência do jornalismo. Estudar jacobina através dos jornais me fez conhecer outro lado da cidade onde morei durante 16 anos. Onde cresci e construí minha história.

Não vivi em outra época, mas pelo que posso constatar as pessoas davam mais valor ao momento e ao fato. Hoje tudo é muito superficial e o jornalismo não fica atrás. Os prazos são curtos. Os resultados são esperados e as metas devem ser cumpridas. Fico muito triste quando abro um jornal para ler, logo pela manhã, e a matéria está cheia de novas informações sobre o fato, porém recheada de erros. A qualidade do conteúdo, ou como se faz ele, se perde nesse processo.

04

agosto
2010
Time: 13:50
Page 1 of 4512345»...Last »