Herdeiro do Caos

A revolução será remixada…

Archive for the ‘Livros e Artigos’

Poder de compra do poder público pode tornar o mercado mais verde

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Entre 10 a 15% do PIB brasileiro é destinado às compras públicas, o que torna o Governo Federal um dos maiores clientes das empresas privadas, seja no atacado ou no varejo, quer na área de móveis para escritório ou produtos eletrônicos. A cifra permite a administração pública um poder de barganha gigantesco, assim como pressionar o setor privado no sentido de produzir equipamentos e tecnologias verdes.

Sem devaneios defende-se aqui que o Estado, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, elabore políticas de compras públicas sustentáveis, baseadas no conceito de tecnologia verde. Esse poder de compra torna-se ainda mais relevante a partir do momento em que o país ainda não conta com uma legislação de licitações e contratos

Como falar de meio ambiente significa falar de previsões apocalípticas, permita-me o leitor citar apenas uma. Relatório da World Wildligre Fund (WWF) destaca que em 2050 serão necessários dois planetas Terra para atender a demanda da humanidade, uma vez que, anualmente, o homem consome 25% a mais de recursos naturais do que o nosso planeta azul é capaz de suportar.

Dito isso, política de compras orientadas para sustentabilidade é de grande valia para minimizar as ações predatórias do homem por sob a Terra. A boa notícia é que no Brasil, ainda que não sejamos a maior referência e nem tenhamos as práticas mais avançadas, desde 2006 o Governo Federal tem criado (no gerúndio mesmo) procedimentos para a aquisição de bens, serviços ou obras norteadas por critérios ambientais como condição sine qua non para compra.

Ana Maria Vieira, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informaçao (SLTI) do Ministério do Planejamento do Governo Federal (Brasil), apresentou no último Congresso do CLAD as experiências do Brasil nesta área. Segundo ela, a administração pública deve utilizar o poder de compra do Estado para pressionar o mercado a produzir equipamentos verdes e que causem menor impacto ao meio ambiente.

“É necessário mudar o paradigma de que os governos precisam comprar o mais rápido possível e ao menor preço. O ideal é comprar de quem produz pensando no meio ambiente, que gere empregos e faça a diferença para o desenvolvimento do país”, opina.

Para se ter uma ideia do tamanho do poder de compra do Estado, no que tange a compra de equipamentos eletrônicos, para focar na temática abordada nesta edição da Espírito Livre, o governo federal gastou 719 milhões em 2008. Foram adquiridos 312.957 computadores (de diferentes modelos e marcas) nesse período. Assusta também que diante das verbas destinadas à compra de “tecnologias” o Estado não tenha criado também uma legislação que defina claramente o destino das sucatas digital, bem como os responsáveis pela coleta e tratamento do lixo eletrônico.

Teresa Uca da Plataforma Regional de Residuos Electrónicos en Latinoamérica y el Caribe (RELAC)), destaca que não existe nenhuma política na América Latina que oriente  destino final dos computadores e demais equipamentos eletrônicos. Para Uca, o debate precisa ser reconfigurado “Não podemos pensar apenas em inclusão digital, é preciso pensar o que fazer com os PC`s produzidos e o destino que eles terão”.

Compras e o meio ambiente

A Lei de Licitações e Contratos vigente no Brasil não considera a questão do meio ambiente como uma preocupação legislativa e nem prevê critérios ambientais para orientar a compra de bens ou contratação de serviços pela administração pública. Entretanto, essa barreira jurídica precisa ser rompida e um elemento importante seria a aprovação do PLC 32/2007, que tramita no Congresso Nacional desde maio de 2007.  O projeto de autoria do executivo federal altera dispositivos da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamenta o inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal; institui normas para licitações e contratos da Administração Pública; e dá outras providências.

O projeto é bem complexo e abrangente, por isso vale destacar as propostas que versam diretamente com o foco deste artigo e a temática da revista. O projeto prevê a adoção de critérios sustentáveis na contração de serviços ou na aquisição de bens, bem como priorizar a compra de produtos de menor impacto ambiental. Os bens devem ser compostos por material reciclado, biodegradável e/ou atóxico e devem ser facilmente reutilizados.

Outro proposta deveras interessante é a mudança do artigo da Lei no 8.666 de 1993 – de acordo com esse artigo o poder público deve selecionar a proposta mais vantajosa, porém o que acontece na prática é que muitas vezes o Estado compra barato e mal. A nova proposta sinaliza que os critérios de sustentabilidade ambiental devem ser requisito obrigatório na contratação. O preço, nesta concepção, é relativizado, pois nem sempre o mais barato significa a melhor compra, tanto em termos de gastos como em quesitos ambientais. A ideia é que os gestores avaliem as vantagens e desvantagens dos produtos/serviços durante o uso e após o descarte, considerando assim todo o processo, da fabricação até o descarte final do bem.

Por fim, propõe-se ainda que as especificações das licitações, baseadas em critérios verdes sejam divulgadas no site Comprasnet – portal do Governo Federal de contratações públicas, aumentando a transparência dos gastos públicos assim como contribui para a orientação da cultura de compras sustentáveis junto aos estados e municípios. Por outro lado, a definição dos critérios de sustentabilidade para a aquisição de “tecnologias verdes” orienta o setor privado na produção de novos produtos baseados em parâmetros de preservação do meio ambiente.

Prova de que a lei deve estar a serviço e os processos de compra e/ou licitatórios podem ser utilizados como armas para o desenvolvimento sustentável foi a aprovação da Lei nº 12.187, de 29 de novembro de 2009, que adota o poder de compra do Estado como importante instrumento para fomentar a política de mudanças climáticas, a saber:

“Art. 6o São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:


XII – as medidas existentes, ou a serem criadas, que estimulem o desenvolvimento de processos e tecnologias, que contribuam para a redução de emissões e remoções de gases de efeito estufa, bem como para a adaptação, dentre as quais o estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão, outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais, para as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos;”

Outros exemplos que merecem destaque é a experiência do “selo verde” desenvolvida pela USP, que já começou a recomendar em suas licitações para compra de computadores, produtos com alta taxa de reciclabilidade, livres de chumbo e com alta eficiência energética. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão criou o hotsite Contratações Públicas Sustentáveis com artigos, dicas, cartilhas e demais informações para orientar o uso do poder de compra na potencialização do desenvolvimento sustentável. No portal existe também um catálogo com bens baseados em tecnologia verde já cadastrados no Sistema de Compra do Governo Federal.

O Estado não é um consumidor qualquer, o seu poder de compra deve ser utilizado para desenvolver políticas públicas, pressionar o mercado para atender as demandas sociais e ambientais, principalmente na seara de compra de equipamentos eletrônicos e, como recomenda os guias de administração, maximizar os recursos públicos para o desenvolvimento sustentável da sociedade. O poder de compra do Estado, vale ressaltar de 10 a 15% do PIB, é capaz de induzir padrões de produção de bens e contratação sinalizando para o setor privado a necessidade de produzir produtos baseados em tecnologias verdes.

* Artigo escrito para Revista Espírito Livre (ed.17)

06

agosto
2010
Time: 21:31

Revista Espírito Livre aborda vigilantismo na Web

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“Sorria, você está sendo filmado…” Esta frase é sempre lida em diversos locais que visitamos, como bancos, supermercados, shopping center, etc. E na internet? Como é atualmente ou como deveria ser?

Vigilância e internet é o assunto de capa da edição 16 da revista colaborativa Espírito Livre, que dentre outros destaco a entrevista com João Caribé sobre ciberativismo e um artigo interessante do Thalles Waichert, que é jornalista da editoria de Mídias Sociais do Terra Networks Brasil fala do controle, vigilantismo e resistências nas redes sociais.

Meu artigo (pag. 69 e 72) versa sobre uma lei municipal aprovada em Lauro de Freitas, município da Bahia, que regula o funcionamento de Lan Houses na cidade. Em resumo, a lei promove a invasão de privacidade e instala um clima de insegurança nos estabelecimentos.

20

julho
2010
Time: 14:45

CMS e a produção colaborativa de conteúdo

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CMS. Estas três letras foram fundamentais para potencializar escritas coletivas e a plurivocalidade na rede mundial de computadores. No início da Internet, a ausência de sistemas e aplicativos de fácil manuseio impedia a apropriação pelos usuários das possibilidades de conversação e produção de conteúdo. A Web era mais “lida” do que “escrita”. Essa é a introdução do artigo que escrevi para a ed. 15 da revista colaborativa Espírito Livre. (link direto para o artigo)

Tem entrevista com Tristan Renaud, vice-presidente do Jahia Software Group, responsável pelo CMS Jahia; Mark Evans, líder do projeto glFusion e batemos um papo com Dan Fuhry e Neal Gompa, criadores do EnanoCMS. Também recebemos contribuições de Rafael Silva, criador do site Drupal Brasil, que em sua matéria traz motivos bastante convincentes quanto ao uso do Drupal, inclusive apresentando casos bem sucedidos de uso deste famoso CMS. Rafael Leal traz um questionamento pertinente no título de sua matéria: Usar CMS desvaloriza o meu trabalho?

Destaco também a coluna do Cezar Taurion fala sobre como contribuir para o Kernel Linux, enquanto Alexandre Oliva, aborda o tema Portabilidade, porém aplicado ao campo do software, uma proposta bem interessante por sinal.

Faça o download da revista e compartilhe

29

junho
2010
Time: 9:37

Liberdade na Internet é abordada pela revista Espírito Livre

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“Liberdade na Internet” é o tema da edição n° 12 da revista colaborativa Espírito Livre. Destaque para a entrevista com Mark Surman, diretor executivo da Mozilla Foundation e o artigo do Sérgio Amadeu que analisa como a indústria do copyright ataca a privacidade e as redes P2P.

Não deixe de ler também a entrevista que fiz com a Adriana Rodrigues (pgs. 55 a 58) sobre infografia e jornalismo e o artigo que escrevi sobre a tentativa da justiça censurar o Twitter do Governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner (pgs. 67 a 69).

29

março
2010
Time: 12:07

Pesquisador lança Dicionário Brasileiro Bibliográfico da Comunicação

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O publicitário e pesquisador Nelson Varón Cadena lançou nesta quinta (25) o “Dicionário Brasileiro Bibliográfico da Comunicação“, coletânea com quase 2 mil referências bibliograficas, catalogadas em 28 áreas temáticas. O catálogo inclui obras das sete áreas da comunicação: imprensa, radio, televisão, propaganda, comunicação, cinema e relações públicas.

De acordo com Cadena, “o Dicionário Bibliográfico Brasileiro de Comunicação é um projeto que se propõe a auxiliar trabalhos de pesquisa, especificando as obras existentes na área de interesse do pesquisador.Inicialmente disponível na web, em breve, com mais 1.000 verbetes adicionais, disponibilizado também em formato de livro”.

Vale dar uma olhada no projeto

25

março
2010
Time: 17:11

Resumo do livro “YouTube e a revolução digital”

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Não há melhor exemplo da cultura participativa na Web do que o YouTube. O site que iniciou suas atividades em junho de 2005 como um mero repositório de vídeos evolui para um espaço onde os usuários “se transmitem”. Ao mesmo tempo em que é um novo ambiente de poder midiático, também é uma mídia de massa.

A lógica cultural do YouTube não passa pela diferenciação “amador” x “profissional”, mas pela apropriação realizada pelos participantes no site e fora dele. Para o YouTube, a cultura participativa não é somente um artifício ou um adereço secundário; é sem dúvida, seu principal negócio.

Apesar de potencializar a cultura colaborativa, a arquitetura e a filosofia do YouTube ainda tornam a participação mais individual do que coletiva. Entretanto, os usuários do o YouTube podem utilizá-lo para conectar-se às redes sociais e culturais para além dos domínios do YouTube, integrando conteúdo e circulando conhecimento.

Não seria demais dizer que o YouTube consiste em uma esfera cultural pública, potencializado a cidadania cultural cosmopolita, uma vez que os vídeos mais frenquentes armazenados no site dizem respeito à vida cotidiana dos cidadãos, seus valores, pensamentos e cultura.

Por fim, ao pensar sobre o sucesso do YouTube, fica claro que o site soube casar a parte comercial com uma plataforma de participação cidadã. Ao mesmo tempo em que cadeias de TV enxergam no site uma forma de convergência e mecanismo para atrair a atenção do público, uma cultura marginal se apropria da plataforma para resgatar manifestações populares, promover eventos artísticos e, porque não, criticar o próprio YouTube quando este se distancia dos seus princípios fundamentais “aberto a todos” e “ambiente para transmitir-se”.

Esses são os principais argumentos defendidos por Jean Burgess e Joshua Green no livro “YouTube e a revolução digital – como o maior fenômeno da cultura participativa está transformando a mídia e a sociedade”, Aleph, 2009. A obra é divida em seis parte (A importância do YouTube, o YouTube e a mídia de massa, A cultura popular do YouTube, A rede social do YouTube, A política cultural do YouTube e os caminhos incertos do YouTube) e conta com um artigo do Henry Jenkins (o que aconteceu antes do YouTube?) e um do John Hartley (utilidades do YouTube: alfabetização digital e a expansão do conhecimento).

YouTube e a revolução digital é uma boa síntese da atuação do site, como ele influenciou a Web, aponta elementos do sucesso do site, identifica a sua relação com a cultura participativa e plataforma para a cultura cosmopolita. Se me permite resumir o livro em um tweet diria: Um manual de instruções para analisar as potencialidade do YouTube e entender como ele se tornou o ambiente midiático mais importante da Web.

A seguir, as idéias mais importantes descrita pelos autores (se preferir leia o resumo em .doc)

A origem do YouTube

Fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, ex-funcionários do site de comércio on-line PayPal, o site YouTube foi lançado oficialmente sem muito alarde em junho de 2005.  (pg. 17 e 18)

Receita do sucesso

O sucesso chegou em outubro de 2006, quando o Google pagou 1,65 bilhão de dólares pelo YouTube. Em novembro de 2007, ele já era o site de entretenimento mais popular do Reino Unido, com o site da BBC em segundo lugar. (pg. 18)

De acordo com a comunidade tecnológica, a ascensão do YouTube pode ser traçada a partir de um perfil do site publicado pelo respeitado blog de tecnologia e negócios TechCrunch em 8 de agosto de 2005, que entrou como destaque na home page do Slashdot, que criticou prontamente a arquitetura tecnológica do YouTube como o colocou em suas listas de sites que mereciam atenção (pg. 19)

Para Jawed Karim, o sucesso do site se deve à quatro recursos essenciais: recomendações de vídeos por meio da lista de “Vídeos relacionados”, um link de e-mail que permite o compartilhamento de vídeos, comentários (e outras funcionalidades inerentes a redes sociais) e um reprodutor de vídeos que pode ser incorporado (embed) em outras páginas da internet. (pg. 19)

Outra versão para o sucesso do YouTube está relacionada a um quadro cômico do Saturday Night Live que mostrava dois nova-iorquinos nerds estereotipados cantando um rap sobre comprar bolinhos e assistir As crônicas de Nárnia. Em dezembro de 2005 esse clipe – intitulado Lazy Sunday (Domingo de preguiça) – tornou-se o que poderia ser chamado de primeiro hit do YouTube. (pg.19)

Mudança na filosofia do YouTube – de repositório de vídeo para expressão pessoal

No início, o site trazia o slogan Your Digital Vídeo Repository (Seu repositório de Vídeos Digitais), uma declaração que, de alguma maneira, vai de encontro à exortação atual, e já consagrada, Broadcast yourself (algo como Transmitir-se). Essa mudança de conceito do site – de um recurso de armazenamento pessoal de conteúdo em vídeo para uma plataforma destinada à expressão pessoal – coloca o YouTube no contexto das noções de uma revolução liderada por usuários e caracteriza a retórica em torno da “Web 2.0” (Grossman, 2006b) (pg. 20 e 21)

Para o YouTube, a cultura participativa não é somente um artifício ou um adereço secundário; é sem dúvida, seu principal negócio. (pg.23)

YouTube como site de cultura participativa

Cultura participativa é um termo geralmente usado para descrever a aparente ligação entre tecnologias digitais mais acessíveis, conteúdo gerado por usuário e algum tipo de alteração nas relações de poder entre os segmentos de mercado da mídia e seus consumidores. (…) a definição de “cultura participativa” de Jenkins estabelece que os “fãs e outros consumidores são convidados a participar ativamente da criação e circulação do novo conteúdo” (Jenkins, 2006a) (…) as novas configurações econômicas e culturais que a “cultura participativa” representa são tão contestadora e incômoda quanto potencialmente libertárias. (pg. 28)

A criação e o compartilhamento de vídeos atuam do ponto de vista cultural como um meio de estabelecer redes sociais em oposição ao modo de “produção” cultural. (pg. 47)

YouTube e mídia de massa

O YouTube representa claramente uma ruptura com os modelos de negócios da mídia existentes e está surgindo como um novo ambiente do poder midiático. Ele tem recebido muita atenção da imprensa e agora faz parte, mesmo que aceito de maneira relutante, do cenário da mídia de massa.

A classificação repetitiva do YouTube como site amador “abertos a todos” e não como um local de convívio comunitário ou experimentação artística, por exemplo, o situa como espaço no qual o público ou as massas vão se elevando da base, de maneira que os assuntos de interesse que o cercam estejam relacionados à ausência de leis, crise de conhecimento e o colapso dos valores culturais. Do mesmo modo, os discursos da mídia de massa sobre o YouTube têm o poder de definir os problemas que mais tarde assumirão a forma de políticas, leis e até mesmo uma forma material, fazendo com que as preocupações com “pirataria” ou “ciberintimidação” transmitam a impressão de que intervenções regulatórias são necessárias – como o Gerenciamento Digital de Direitos (DRM) para combater a pirataria ou bloquear o acesso de computadores escolares ao YouTube como o intuito de combater a ciberintimidação. (pg. 35 e 36)

Os significados do vídeo amador

Uma suposição comum que permeia os julgamentos mais elogiosos à democratização da produção cultural (Grossman, 2006a, 2006b) é a de que talento puro e simples combinado à distribuição digital pode se converter diretamente em sucesso legítimo e fama na mídia. (…) O YouTube já foi literalmente mitificado como um meio de Broadcast yourself (Transmitir-se) para o mundo da fama e da fortuna (43 e 44)

Popularização x democratização

O aumento da representação de pessoas comuns como celebridades temporárias ou em potencial na mídia de massa representa mais a “população” do que a “democratização” da mídia. (pg. 44 e 45)

Direitos autorais

A violação de direitos autorais propõe um discurso sobre a ameaça às indústrias do entretenimento representada por consumidores não avaliados mas imbuídos de poder. (pg 53)

YouTube como mídia de massa

A mídia só admite a importância cultural do YouTube apenas quando sua articulação com as formas tradicionais legitimadas podem ser demonstradas: debate político em massa, como a cobertura do debate YouTube/CNN como parte do início da campanha presidencial de 2008 no Estados Unidos (Feldman, 2007; Dilanian, 2007); ou educação e aprendizado institucionalmente legitimado, como se deu quando várias universidades de prestígio começaram a fazer uploads de vídeos de palestras e aulas completas no YouTube (Alexandre, 2007; E. Lee; Kessler, 2007) (pg. 59 e 60)

A revolução digital mudou os hábitos de consumo

O consumo se tornou uma fonte de criação de valores e não somente seu ponto de chegada. O consumo de mídia, de acordo com esse modelo, se distanciou da atividade de “somente leitura” para se tornar um modelo de “leia e escreva”. (pg. 72)

Upload é uma prática social que produz sentido

O upload de conteúdo de mídia tradicional para o site constitui parte de uma gama mais sofisticada de práticas culturais do que uma simples tentativa de “compartilhar arquivos” ou de burlar sistema de distribuição nos âmbitos nacionais ou comerciais (pg. 74)

A agenda do YouTube

Frequentemente, as citações presentes na categoria Mais Vistos tendem a refletir os tópicos que já estão no topo da agenda pública e não as noticias mais recentes (pg. 74)

A circulação de conteúdo

O conteúdo circula e é usado no YouTube sem preocupações quanto a sua origem – ele é valorizado e gera envolvimento de modos específicos, de acordo com seu gênero e seus usos dentro do site, assim com sua relevância na vida cotidiana de outro usuários, e não pelo fato de seu upload ter sido feito por um estúdio de Hollywood, uma empresa de Web TV ou por um videoblogueiro amador. (pg. 83)

A rede social do YouTube

A YouTube Inc. pode ser vista como a “patrocinadora” da criatividade coletiva, controlando ao menos parte das condições sob as quais o conteúdo criativo é produzido, organizado e representado para interpretação das audiências (pg. 88)

Apesar da falta de elementos tradicionais das redes sociais, o YouTube cria uma rede social

A arquitetura do site não convida abertamente os usuários ao desenvolvimento de comunidades, colaboração ou trabalho de grupo orientado. (…) Não há um convite óbvio para a colaboração com outros usuários, para remixagem ou citação dos vídeos de outros usuários. (pg. 91)

Apesar de sua retórica comunitária, a arquitetura e o design do YouTube convidam mais à participação individual do que à atividade colaborativa; qualquer oportunidade de colaboração tem de ser especialmente criada pela própria comunidade do YouTube ou por meio de um convite especial da empresa. (…) No entanto, entradas colaborativas e remixadas de vlogs foram uma característica bastante notável nos conteúdos mais populares de nossa análise. (pg. 93)

A comunidade está presa a arquitetura do site

Os YouTubers, enquanto agentes culturais, não são prisioneiros da arquitetura do YouTube e apresenta a permeabilidade do YouTube como sistema. Ele se conecta às redes sociais e culturais que o cercam, e usuários integrados a essas redes movem seu conteúdo e suas identidades para dentro e para fora de vários sites. O YouTube nunca funcionou como um sistema fechado, fornecendo desde o começo ferramentas para incorporação de seu conteúdo em outros sites, como blogs. À luz dessas informações, é surpreendente que essa portabilidade de conteúdo em ambas as direções do site não receba maior suporte por parte do próprio serviço. (pg. 94)

Alfabetização digital

A alfabetização digital é um dos principais problemas da cultura participativa. (pg. 98)

A participação ativa e criativa também pode ser usada para ajudá-los a serem mais “críticos” em relação às mensagens da mídia. (…) “Alfabetização” não é uma coisa evidente que o indivíduo pode possuir, assim como não o são qualquer uma das outras “alfabetizações” específicas possíveis. Alfabetizações, de fato, são produzidas por contextos sociais e históricos e neles são praticadas. (…) “Ser letrado” no contexto do YouTube, portanto, significa não apenas ser capaz de criar e consumir o conteúdo em vídeo, mas também ser capaz de compreender o modo como o YouTube funciona como conjunto de tecnologias e como rede social. (pg. 99, 100 e 101)

A política cultural do YouTube

O YouTube é um empreendimento comercial. Mas também é uma plataforma projetada para viabilizar a participação cultural dos cidadãos comuns. Ele é um exemplo muito claro de uma tendência abrangente em direção a convergências conflitantes de formas de produção cultural comerciais e não comerciais no ambiente digital, onde esses tipos de produção cultural marginais, subculturais e comunitários são incorporados, em virtude de seu projeto, à lógica comercial das grandes corporações de mídia. (pg. 104)

YouTube como esfera cultural pública

O YouTube é grande e global o suficiente para ser levado em conta como um importante mecanismo de mediação para a esfera cultural pública. (pg. 107)

Pelo fato de grande parte do material simbólico mediado pelo YouTube ter sua origem na vida cotidiana de cidadãos comuns, ou por ser avaliado, discutido e custodiado por eles, é que o YouTube representa, em teoria, um site de cidadania cultural cosmopolita. (pg.110)

O YouTube é um site potencial para a cidadania cultural cosmopolita – um espaço no qual os indivíduos podem representar suas identidades e perspectivas, envolver-se com as representações pessoais de outros e encontrar diferenças culturais. (pg. 112)

Desafios para o YouTube

Encorajar anunciantes atuarem dentro do YouTube e não só colocar anúncios no YouTube (pg. 138)

18

janeiro
2010
Time: 7:34

O Globo será o primeiro jornal brasileiro a lançar versão para o Kindle

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E o jornal O Globo continua em suas apostas multimidiáticas e será o primeiro veículo brasileiro a lançar uma versão para o Kindle. Já comentei aqui no blog que a “venda” de notícia não pode se restringir a home dos jornais, é preciso fazer com que ela circule e navegue pelos mais diversos links e browser.

De acordo com o anúncio oficial, “a edição de O Globo no Kindle contém artigos encontrados na edição impressa, mas não inclui todas as imagens e tabelas” e “as edições são entregues automaticamente no seu Kindle a partir de 5:00 horário local do Rio de Janeiro via wireless”.

Em tempo, a Kindle anunciou também que irá comercializar o leitor de livros eletrônicos, em mais de 100 países (dentre eles o Brasil) a partir do 19 de outubro. Consumidores de países da Ásia, África, Europa e América do Sul poderão adquirir o leitor eletrônico por 279 dólares, na versão de seis polegadas e compatível com padrão de redes sem fio internacionais.

Veja também a lista dos jornais que irão “circular” no leitor do Kindle.

07

outubro
2009
Time: 16:52

Edição de vídeo em software livre é tema da sexta edição da Revista Espírito Livre

Posted by admin

Já está no ar a sexta edição da Revista Espírito Livre, que tem como foco a edição de vídeo, mostrando aos leitores através de vários ângulos que é possível desempenhar um bom trabalho utilizando software livre para produzir, editar e criar material em vídeo. Eu disse que é o foco, mas tem outros assuntos interessantes na publicação, vale lembrar, totalmente colaborativa.

O meu artigo é sobre Política midiática: visibilidade e legitimação, onde argumento que a política midiática é fruto da indústria da informação e da sociedade de massa. Para o êxito em sua atividade, a esfera de decisão política passou por um processo de adaptação à “gramática” dos mass media, além de sofrer influência das técnicas e lógicas do marketing no que refere-se à produção de imagem e/ou personagens. A política midiática é uma política de imagem, calcada no espetáculo.

Chega de papo e vamos ao download:

Revista na íntegra
Artigo na íntegra

13

setembro
2009
Time: 13:10

Jornalistas não entendem as mídias sociais

Posted by admin

Esta é a conclusão da monografia “As percepções dos jornalistas da EBC sobre mídias sociais” , da Carine Roos. A pesquisa foi realizada com 14 jornalistas da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) em três veículos diferentes, entre eles, a Agência Brasil, a Rádio Nacional Amazônia e a TV Brasil, durante 18 de março de 2009 e finalizadas em 28 de abril de 2009.

Vale destacar que esta conclusão refere-se a realidade da EBC. Certamente, em outras empresas, seja pública ou privada o resultado será outro.

De acordo com Carine Roos, esses “profissionais ainda não entendem que, com o surgimento de novas plataformas de publicação de notícias e informações, como blogues e sites alimentados pelos cidadãos repórteres, ocorre uma reestruturação dos papéis de emissor e receptor”.

Segundo ela, dois mecanismos impedem um diálogo entre jornalistas e mídias sociais:

1- jornalistas não dão credibilidade às mídias sociais. O principal argumento para tal é que “o cidadão não tem competência para fazer notícias, temem que este passe uma informação errada e ajam de forma anti-ética, assim como não sigam os critérios de noticiabilidade”.

2- estrutura de trabalho, pois “impede uma maior integração entre mídias sociais e convencionais”.

Taí uma pesquisa que vale a pena o download.

08

julho
2009
Time: 14:08

Newsgame: o embaralhamento de fronteiras entre jornalismo e videogame

Posted by admin

Já está no ar a quarta edição da Revista Espírito Livre, que aborda software livre, tecnologia, internet e afins. Nesta edição o tema é games e uma vasta abordagem foi realizada, seja nos aspectos técnicos como sociais. Vale destacar que a publicação é colaborativa. Participe!

Clique para fazer o download da revista

Nesta edição escrevi um artigo sobre Newsgame: o embaralhamento de fronteiras entre jornalismo e videogame. Abordo como o newsgame pode ser uma narrativa alternativa para contar as histórias na web e atrair o público jovem, cada vez mais distante dos jornais.

Clique para fazer o download do artigo

06

julho
2009
Time: 13:35
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