Na mesa sobre jornalismo colaborativo, que integrou os debates do Seminário Internacional de Jornalismo Online, realizado neste sábado, alguns dados “alarmantes” sobre o índice de aproveitamento do conteúdo produzido pelos colaboradores e enviado aos mass media.

Gráfico elaborado pela @mtonus
O Terra descarta 20% dos conteúdos colaborativos. o G1 descarta 75% e a Folha de São Paulo 90%. Ao analisar os dados perguntar se é necessário melhorar a qualidade/capacidade dos colaboradores e/ou mudar a cultura de moderação dos jornais é inevitável.
Penso que a união das duas alternativas é uma saída. Primeiro. Tenho defendido aqui no blog que não basta abrir o código fonte da produção e emissão de informações sem a articulação com a “educação” do uso dessas ferramentas. Alguns jornais investem na capacitação dos seus colaboradores seja com curso intensivos ou oficinas práticas para auxiliar na escrita e cobertura dos fatos. Não existem dados concretos, mas na prática cidadão capacitado gera conteúdos mais “aproveitáveis” para a sociedade e os próprios jornais.
Segundo. Se faz necessário mudar a cultura de moderação dos jornais a partir do momento, em que, por exemplo, a Folha de São Paulo (online) tem apenas uma pessoa para moderar os comentários, ou seja é apenas uma visão daquilo que pode ser utilizado ou não. O resultado, vale ressaltar, é que a FSP descarta 90% do que os cidadãos enviam para o jornal. Outro dado que influencia esse índice: a Folha só está interessada em notícias exclusivas, disse o Ricardo Feltrin, um dos coordenadores de projetos online da Folha.
Enquanto a FSP quer apenas conteúdos exclusivos, o Terra utiliza o conteúdo mesmo que não seja inédito. “O conteúdo é aproveitado para complementar uma matéria” explica Ana Brambilla, editora de mídias sociais do Terra. Sem dúvida essa concepção contribui para que o Terra tenha um aproveitamento alto do conteúdo produzido por seus usuários.
Já no G1 são quatro pessoas para analisar conteúdo de usuários. O índice de aproveitamento deles é 75% do conteúdo, principalmente aquelas informações sobre o cotidiano, conforme relato de David Butter
Por fim, o Mario Tascon, editor de La.Informacion.com, que também participou da mesa, reflete sobre a relação entre jornal e colaboradores: nós temos medo dos leitores.
E para polemizar: por que não pensar a mudança de “cultura de moderação” implicando incluir também os colaboradores nesse processo? O HuffPo, por exemplo, desenvolve um eficiente sistema de auto-moderação. A partir do momento em que colaboram com o jornal, o cidadão ganham “bagdes” e a depender do nível/status podem até delatar comentários.