Herdeiro do Caos

A revolução será remixada…

Desafio da mídia é atrair a atenção do leitor, diz editor-chefe da ‘The Economist’

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O programa  Milênio desta segunda-feira entrevistou o jornalista, historiador e editor-chefe da revista britânica The Economist, John Micklethwait sobre a situação do mercado do impresso. A entrevista é salutar, tendo em vista as teses apocalípticas de fim dos jornais impressos e anúncios de falência de diversas publicações importantes.

A The Economist vende 1 milhãos e 400 mil exemplares por semana e vai na contra-mão da crise mundial dos veículos impressos. Questionado sobre o equlibrio entre impresso e online, Micklethwait acredita que os leitores eletrônicos serão um diferencial, isso porque eles proporcionam a mesma sensação ao ler uma revista no papel: admirar, ou simplesmentes, quando se lê uma revista as pessoas se inclinam para trás e, segundo ele, os leitores eletrônicos resgatam esse hábito.

Para Micklethwait a grande luta da imprensa, atualmente, é pelo tempo das pessoas, em como tornar o seu produto agradável para ser folheado por 1h ou 20 mim. A “receita” do sucesso da publicação você acompanha na entrevista divida em dois blocos (aqui e aqui - deu erro no embed da Globo.com, por isso direciono o link para lá), que ainda aborda a relação entre mídia e política, mídia e Justiça.

24

agosto
2010
Time: 12:45

Uso das Redes Sociais nas Eleições

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O programa Cidadania da Agência Senado entrevistou na última semana o Pedro Sorrentino, diretor do documentário Obama Digital, acerca do uso das redes sociais nas eleições. Não há muita novidade na fala do entrevistado , mas serve como um resumo da relação entre a esfera política e as mídias sociais (muito bem abordada) e uma comparação entre o que houve nos Estados Unidos e no Brasil.

Os dois primeiros vídeos são da entrevista e o terceiro (para quem ainda não viu) o documentário #ObamaDigital.

Obama Digital #obamadigital from Obama Digital on Vimeo.

16

agosto
2010
Time: 16:01

Empresa deve atuar na Web para exercer influência sob suas marcas e produtos, defende Tarcízio Silva

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Tem pesquisadores que merecem ser seguidos no Twitter e ter o feed do blog assinado. As reflexões teóricas e experiências práticas (divulgadas no blog e via Twitter) coloca o Tarcízio Silva nessa lista.  O cabra tem um pé na academia (é mestrando no PPGCCC-UFBa) e outro no mercado (diretor da PaperCliQ), o que lhe permite ter uma visão mais complexa da publicidade digital, tanto dos desafios como das oportunidades para o setor.

Alguns desses desafios e oportunidades são discutidos na entrevista abaixo. Confira:
Pesquisa (2009) da Nielsen Online apontou que 60% dos usuários brasileiros de Internet confiam na opinião de pessoas comuns sobre a avaliação de marcas e produtos. Diante desse cenário, qual deve ser a postura de empresas e organizações na Web?

Tarcízio Silva - Em primeiríssimo lugar, saber o que as pessoas falam de suas marcas e produtos. Invariavelmente, quando fazemos um planejamento de comunicação ou uma proposta de serviços, apresentamos ao cliente um panorama inicial contendo demonstração de monitoramento, análise do posicionamento dos sites das empresas nos buscadores, atuação da concorrência etc. Isso ajuda a quebrar o argumento pseudo-protetor de algumas empresas: “Não quero entrar nas mídias sociais, porque não posso controlar o que falam de mim”. Mas já falam, se a marca tem alguma relevância. E se a empresa quer ao menos exercer alguma influência nisso, deve se posicionar.

Esses dados apresentados pela Nielsen Online também mostram que, além de olhar apenas para o próprio umbigo, é importante olhar para o mercado como um todo, incluindo clientes, não-clientes, futuros clientes, concorrentes, fornecedores e parceiros. A partir da análise do cenário e das conversações, é possível angariar dados de inteligência competitiva para desenhar os melhores caminhos a serem seguidos.

A minha impressão é que as empresas/marcas potencializam apenas a venda, ao apostarem em mídias sociais e colaborativas. O ideal não seria inserir as marcas e/ou produtos no cotidiano das pessoas?

TS - De uma forma geral, é a demanda mais presente. O cliente chega falando “quero vender”. Mas não é assim. A depender do produto e do tipo de comunicação, esta vai ter um efeito muito melhor de médio prazo ou indireto. Não adianta enfiar anúncio na cara de quem não tá interessado no que você tem a oferecer.

Por isso a utilização de mídias sociais, através de conteúdo e relacionamento, é tão importante. Distribuir banners e links patrocinados por aí gera vendas, sim. Principalmente se levar em conta oportunidade e demanda. Mas o mais interessante, realmente, são atuações integradas e constantes. Afinal, o que é melhor? Que o usuário veja um anúncio “Compre meu produto XX!” ou ler e ouvir de vários amigos “Acho que você deveria testar ou comprar o produto XX.” A influência social que sempre foi e, acredito, está ficando ainda mais importante na dinâmica do consumo. E um amigo é mais confiável e persuasivo, pela sua credibilidade. Então, sem sombra de dúvidas, o ideal é realmente inserir as marcas e produtos no cotidiano das pessoas.

Pesquisas e estimativas apontam que o investimento da publicidade na Internet será ainda maior nos próximos anos. É natural que a migração da publicidade para a Web mantenha suas ações nos mass media, grandes portais e buzz criados na própria Internet. Em sua opinião esses futuros investimentos continuarão “massivos” ou migrarão para os nichos de mercado?

TS -  Eu acho que os investimentos continuarão focados em portais e sites mais “massivos”. Mas o diferencial hoje é que parte dos sites massivos são justamente os que conseguiram ser massivos por descentralizar o processo de disseminação e ganho de suas marcas. Se o Google hoje é o buscador mais relevante, isso se dá por causa de mecanismos como o Adsense, que permite que atores individuais consigam monetizar seu conteúdo. Também se deve ao investimento em plataformas como o YouTube. Só é lucrativa indiretamente, devido aos altos custos de manutenção dos servidores. Mas plataformas como essas, gratuitas, simples e que permitem incorporação do conteúdo, acabam também por facilitar o surgimento e manutenção de sites de conteúdo de nicho.

Algo a ser levado em conta sobre estas pesquisas medindo o investimento é o que elas consideram como publicidade. A depender do ponto de vista, formatos como links patrocinados e banners são publicidade enquanto produção de conteúdo de marca em mídias sociais não é. Mas requer investimento em pessoal, profissionais e softwares mesmo que não compre espaço publicitário.

A comunicação organizacional digital reúne e requer diversas especialidades diferentes: publicidade, relações públicas, jornalismo, produção etc. São nessas práticas, não estritamente publicitárias em sentido mais rigoroso, que se alcançará uma comunicação mais rica e múltipla para as organizações.

E na Bahia…O mercado é dominado por meia dúzia de agências, que (pode ser uma generalização) começam a investir em Web agora. Você e mais um grupo criaram uma empresa cujo foco é atuação na Internet para preencher essa lacuna…Afinal, como anda o mercado de publicidade digital na Bahia?

TS -  Na verdade, eu diria que sim. O mercado é ainda dominado por poucas empresas. Meia dúzia de agências tradicionais que estão se movimentando, capacitando, contratando e pesquisando em comunicação digital e outra meia dúzia de agências focadas em digital, que superam o “compre um site em 12x sem juros e ganhe Analytics de graça” (sim, eu já li isso).

Mas o mercado de publicidade digital na Bahia anda aquecido e se diversificando. Apesar de ainda estar longe de ser o “pote de ouro” que alguns dizem, a demanda é grande. A criação e desenvolvimento da PaperCliQ, por exemplo, focada em comunicação digital é um sintoma disso, assim como a criação e implantação de outras agências focadas em comunicação digital aqui no Estado. Estamos começando a superar a fase de convencer o empresário a criar um site. Na medida em que mais agências digitais locais aprenderem que a produção de conteúdo para “educar” o mercado, assim como a colaboração com as outras agências da categoria podem trazer benefícios, o mercado vai avançar.

Jornalismo e publicidade sempre caminharam juntos. Do que você tem visto tem alguma experiência que merece destaque envolvendo esses dois campos? Ou algum palpite de como será essa relação em um futuro próximo? A tendência para a publicidade no jornalismo são os aplicativos para dispositivos (iPad, Kindle)?

TS - Acho que o jornalismo pode começar a se apropriar de mais técnicas utilizadas por agências de comunicação e inteligência digital. Por exemplo, jornais locais - tanto impressos quanto digitais - podem ganhar muito se mapearem melhor seu público nas mídias sociais. Isso não é uma técnica publicitária, é uma técnica de coleta de informações públicas. Saber o que os leitores querem e o que tem a oferecer pode ajudar bastante.

Além disso, um entendimento melhor das possibilidades de trocas com os novos atores comunicacionais no ambiente é indispensável. Por trás da absurda manchete “Os blogs vão matar os jornais”, está a crença no jornalismo como algo institucionalizado e formal. Rigor, apuração e qualidade jornalística também podem envolver “blogueiros” dos mais diversos tipos. Mesmo se não ocorra (e é o recomendado) troca material, a circulação de valores simbólicos pode ser a chave para benefícios mútuos entre empresas jornalísticas e blogueiros “comuns”. Agências que realizam ações com hubs em mídias sociais entenderam isso faz tempo: existem muitos valores a serem trocados na comunicação digital. Em boa parte das ações, todos ganham: empresa, cliente, agência, blogueiros. Quando as empresas jornalísticas passarem a ter menos medo dos “blogueiros”, poderão desenvolver práticas semelhantes.

Sobre aplicativos para dispositivos móveis, acho que o caminho para o jornalismo é este. Se os jornais impressos vão “morrer” (no formato que tem hoje, pelo menos), o oferecimento de aplicativos para dispositivos móveis que permitam a customização e escolha apenas de conteúdo relevante ao usuário pode ser um dos caminhos. Inclusive, uma relação mais declarada e menos cínica entre jornalistas e anunciantes pode oferecer muitas possibilidades para ambos: aplicativos jornalísticos oferecidos por marcas relevantes, por exemplo.

31

maio
2010
Time: 12:16

Folha de São Paulo e Estadão: caminhos da integração de redação

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Esther Vargas, do blog Clases de Periodismo, elaborou dois bons posts sobre o processo de integração de redações dos jornais Estado de São Paulo e da Folha de São Paulo. Pela Folha fala o Alec Duarte e pelo Estado o Pedro Dória.

04

abril
2010
Time: 0:52

Marc Augé fala sobre não-lugares e sobremodernidade

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Em entrevista ao programa Milênio, o etnólogo francês, Marc Augé comenta sobre a obra de Lévy-Strauss, não-lugares e sobremodernidade. Para ele, não-lugares são espaços de comunicação, circulação e consumo. Esses espaços tem se ampliado e alterado a própria noção da cidade, de mudança do centro, tornando-se apenas pontos de passagem.

“Estamos mais longe de onde estamos e a tecnologia possui grande influencia neste processo”, explica Augé, referindo-se a sociedade moderna e as relação entre as pessoas e a relação com o lugar.

16

janeiro
2010
Time: 18:37

Diálogo sobre o jornalismo colaborativo: o processo de sustentação de um site colaborativo é cruel, diz Rafael Sbarai

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Rafael Sbarai é o entrevistado desta edição do Diálogo sobre jornalismo colaborativo, cuja a idéia é discutir com pesquisadores e produtores os desafios e oportunidades para o jornalismo colaborativo. Sbarai é jornalista, mestrando em conteúdo colaborativo, gestor de mídia social e consultor de projetos web e colaborativos de VEJA – Veja.com, além de criador do Blog De Repente.

Na entrevista realizada por e-mail, Sbarai comenta que o profissional da redação deve ser o principal motivador para o desenvolvimento de um modelo híbrido de jornalismo, reunindo jornalistas e colaboradores. Sobre os critérios de noticiabilidade, diz que a saída “é uma seção aos moldes do Jornalismo Literário (New Journalism): trazer notícia hiperlocal com um ingrediente diferente”.

Confira a entrevista na íntegra:

0 - Vi que faz mestrado sobre conteúdo colaborativo. Qual é o foco da pesquisa?

Comecei o mestrado logo após o término da graduação, em 2008. Vou defender uma dissertação sobre a motivação que o que se considera como “cidadão-repórter” tem ao produzir conteúdos jornalísticos em sites colaborativos. Vou buscar a motivação pessoal dos maiores produtores de conteúdo em três ambientes virtuais: Minha Notícia (iG), iReport (CNN) e OhmyNews.

1- Me assusta ainda que a maioria das experiências em jornalismo colaborativo foquem a participação individual na construção de notícias. A lógica é: mande a sua notícia. O jornalismo colaborativo não deveria potencializar a construção das notícias em rede? Potencializar o saber do coletivo?

Essa questão varia de formato. O mande sua notícia é o chavão mais simples e prático para quem está do outro lado. Não sei até que ponto o cidadão quer perder parte de seu tempo para construir uma informação. Muitos querem produzir o conteúdo e vê-lo em rede no mesmo dia. Sentimento de pertencimento a rede e estímulo moral de ver seu conteúdo em destaque em um portal ou site noticioso. A questão de construção de notícias em grupo vai mais ao que rotulam como Jornalismo Financiado. O Spot.us faz algo parecido.

2- Apesar da participação de novos atores na produção de conteúdo, os críterios de noticiabilidade utilizados pelos cidadãos-repórteres são semelhantes aos do mainstream midiático. Como modificar esta prática?

O critério de noticiabilidade, infelizmente, dá o formato da informação. É difícil de fugir do lugar-comum. Uma saída utópica é a seção aos moldes do Jornalismo Literário (New Journalism): trazer notícia hiperlocal com um ingrediente diferente é super válido, por exemplo. Mas qual empresa vai querer isso? Essa arte não é uma habilidade específica? É tudo muito complicado.

Hoje acredito mais no mining (mineração de dados) e como o cidadão pode contribuir para este tipo de situação. Um bom exemplo é o mapa de homicídios do NYT - http://projects.nytimes.com/crime/homicides/map. O recurso une extração de dados locais (mining), arte, jorrnalista para agregar os dados e reuní-lo da melhor forma possível e o cidadão, presente nas ruas de Nova Iorque todos os dias. Este é um modelo híbrido que deve ser seguido.

3- O jornalismo caminha para o hiperlocalismo. Temos neste processo uma oportunidade de romper com a cobertura monotemática de desastres naturais, típica do jornalismo colaborativo?

Eu acho que não. O Hiperlocalismo, o geotaggeamento e o uso de plataformas móveis para produção de conteúdo só contribuem para uma cobertura que não é monotemática, mas de interesse da sociedade. Um canal que faz sucesso lá fora e foi adquirido recentemente é o outside.in, do Steven Johnson. Ele reúne essas características descritas acima.

4- Na lista divulgada pelo Twitter dos termos mais frequentes em 2009, o #iranelection figurou em primeiro. O dado me fez pensar em como o jornalismo colaborativo é mais eficaz em redes socias do que em plataformas destinadas especificamente para reunir textos. Tem algum fundamento esse pensamento?

Trata-se de uma tremenda discussão. Até que ponto o #iranelection é Jornalismo Colaborativo? Primeiro precisa-se definir o que é Jornalismo Colaborativo. Fiz isso em um artigo que disponibilizarei logo mais no blog. Falam do Twitter como sinônimo de Jornalismo Participativo. E isso é errado. Temos que resgatar as funções e definições de Jornalismo.

As redes sociais apenas potencializam a possibilidade de reunir conteúdos interessantes de casos específicos. Ficou mais prático e fácil em coletar dados e informações. A única questão é como isso será checado posteriormente para a publicação. O que tornou-se mais eficaz é a comunicação instantânea que permite rapidamente a produção de conteúdos participativos.

5- No Brasil, o número de celular é proporcional ao número de habitantes, porém os jornais ainda não criaram aplicativos que potencializem a colaboração em mobilidade. Previsões otimistas para a produção colaborativa mobile?

Aos poucos, isso é lançado. O Guardian começou a se movimentar e produziu inovações no meio: http://www.guardian.co.uk/iphone No mais, não acredito apenas no celular como plataforma de conteúdo. Nós, jornalistas, devemos pensar em dispositivos móveis. Isso transcende o aparelho. Vai para tablets, e-readers, televisão, carro. Enfim, terá a necessidade de adaptar-se o conteúdo a este tipo de suporte e não apenas ao celular.

Sobre previsões, não gosto muito de citá-las, até porque o Brasil é muito atrasado em relação ao resto do mundo em relação a mobile. Enquanto lá fora fala-se em ferramenta de recomendação, aqui o legal é mandar SMS.

6- E a tal credibilidade? Como fazer para elevá-la nas produções colaborativas? Quem deve ser o responsável pela veracidade das informações nos jornais?

A credibilidade sempre será um artefato posto em xeque nas redações. Casos vistos no iReport, como o anúncio da “morte” de Steve Jobs, exemplificam a necessidade de um gatewatcher. A questão é tomar muito cuidado com esta prática. Mas acredito que já exista em alguns profissionais bom senso ao saber a importância que este tipo de colaboração tem. Nem toda empresa está preparada para a participação do internauta.

7- E financeiramente…O OhmyNews que por muito tempo foi (ou é) a experiência mais positiva do jornalismo colaborativo do ponto de vista da sustentabilidade parece dar sinais de declínio. Quais as saídas para manter os projetos? Você acredita na viabilidade do jornalismo colaborativo quanto produto jornalístico?

Infelizmente, os projetos colaborativos ligados à mídia tradicional têm grande possibilidade de sobrevivência. O OhmyNews é um dos meus objetos de estudo e quem está na área sabe de sua importância. A recente história da transição política da Coreia do Sul foi iniciada no OhmyNews. Mas a questão de sustentabilidade é um negócio sério.

O processo de sustentação de um site colaborativo é cruel. No final, sobreviverão projetos ligados às empresas de informação já conhecidas, que têm respaldo financeiro e, principalmente, jurídico para mantê-las. Teremos um ou outro destaque fora deste eixo, mas o que pode gerar consequentemente no futuro uma fusão com uma grande empresa midiática. É só ver o caso Newsvine e MSNBC.

O que fica de lição nos dois anos de mestrado e no trabalho com a colaboração é que o conceito que existe em torno da Colaboração não substitui o modelo tradicional de jornalismo. Um modelo híbrido do que é feito pode iniciar uma discussão de produzir novas narrativas jornalísticas. E o profissional da redação deve ser o principal motivador deste processo. Para tanto, deve acompanhar a tecnologia e não parar no tempo.

Atualizado às 16h42

22

dezembro
2009
Time: 16:09

Revista Espírito Livre entrevista Jon “Maddog” Hall

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Já está no ar a oita edição da Revista Colaborativa Espírito Livre, que tem como assunto principal “Comunidades e Movimentos Livres”. Destaque para a entrevista com o Jon “Maddog” Hall e como Danilo Rodrigues, do Projeto Robótica Livre.

O meu artigo “Desafios para classe médica em tempo de Paciente Informado e Web 2.0″ é fruto dos debates realizados entre médicos e especialistas/pesquisadores/blogueiros em Salvador no mês de outubro.

Faça o download da revista

17

novembro
2009
Time: 16:24

Entrevista: Adriana Rodrigues fala sobre infografia, ciberjornalismo e bases de dados

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O post da Adriana A. Rodrigues*As bases de dados na infografia interativa:algumas reflexões” levantou algumas questões sobre a temática. Se a palavra-chave do ciberjornalismo é a multimidialidade, a infografia deveria ser melhor aproveitada e utilizada pelos jornais, ou não? Essas e outras perguntas Adriana Rodrigues responde abaixo.

Yuri Almeida - Em seu post você argumenta que os infográficos datam das primeiras pinturas rupestres, mas as novas tecnologias e a Internet potencializaram a sua utilização, principalmente nos jornais. Quais as principais mudanças que você destacaria deste processo?

Adriana Rodrigues - As pinturas rupestres, dentro da literatura infográfica, simbolizam os primeiros indícios da comunicação visual como um todo. A necessidade de comunicar-se, independentemente do suporte, é algo inerente ao ser humano, seja através de gestos, gritos, gravuras, etc.

Trata-se de um ponto de partida para pensar na evolução dos infográficos ao longo do tempo, onde as imagens sempre fizeram-se presente, de uma forma ou de outra. O desenvolvimento tecnológico, com softwares voltados para conferir qualidade e tratamento da imagem gráfica foi muito importante para que a infografia chegasse a este formato hoje. A década de 1980, por exemplo, vai assinalar como a consolidação da infografia mundial, difundida pelo jornal americano USA Today, onde houve o destaque da imagem gráfica enquanto discurso jornalístico. Daí, tem-se, na imprensa, a grande efervecência do jornalismo cada vez mais visual.  Quando a infografia migra para Web, ela potencialmente agegra as características do ambiente: é multimídia, interativa, tem atualização contínua,etc. A infografia na Web comporta toda a multimidialidade que a impressa não comporta, devido a característica do suporte. Esta é a principal mudança. Mas  também é preciso que o infografista saiba operar toda essa multimidialidade.

Concordo com o Andrew DeVigal,editor de Multimídia do NYTimes, quando ele afirma que um bom infográfico depende de uma boa história, mas que senão souber utilizar o ferramental tecnológico, não adianta produzi-lo. Penso que uma coisa está intimamente ligada a outra. São intercambiáveis. É evidente o conteúdo do infográfico - e aqui me refiro ao infográfico jornalístico - tem de estar coerente com os aspectos inerentes do jornalismo para constituir-se como tal, porém, não há dúvidas que o aparato tecnológico alavancou para a sua consolidação.

YA - Qual a definição de jornalismo de base de dados (ou banco de dados) e a sua relação com os infográficos?

AR - Suzana Barbosa, membro do GJOL e atual professora da UFF, define assim o  conceito de Jornalismo Digital em Base de dados como  aquele que tem como padrão as bases de dados para a estruturação, edição,apresentação do material jornalístico como todo,  além do o enquadrá-lo como na transição da terceira para a quarta geração dentro do jornalismo digital. Ou seja, as bases de dados instauram um novo paradigma, por suas especificidades e potencialidades, o que provoca a criação de produtos jornalísticos digitais dinâmicos.

A infografia mantém estreito vínculo com o jornalismo digital, quando no momento em que o jornalismo praticado na Web avança nas potencialidades, a infografia vai neste bojo, amadurecendo e se sofisticando. No momento atual,  nota-se claramente que a inserção das bases de dados se fazem presentes nas infografias interativas, percorrendo caminho natural dentro da evolução da história do jornalismo digital. É o que tento mapear na minha pesquisa de mestrado (em fase conclusiva): A emergência das bases de dados nos infográficos, delimitar suas características, especificidades, funções e potencialidades, etc.Constitui-se numa nova modalidade de produção de infográfico que tem como principal referência o The New York Times, jornal que mais investe em infografias em base de dados atualmente, fato este que outros jornais como o El mundo, USA Today, entre outros, vem aderindo esta prática.

YA - O tempo dedicado à leitura dos jornais na Web e no impresso é cada vez menor. Alguns pesquisadores acreditam que o uso de infográficos, por exemplo, é uma alternativa para atrair a atenção dos leitores. Você acredita nesta afirmativa?

AR - Se formos olhar bem a história da humanidade,vemos que, de uma forma ou de outra, a imagem esteve associada com as palavras. Não é atoa que o pesquisador espanhol Manuel De Pablos afirma, categoriacamente, que sempre houve infografia na história humanística, como debatido na primeira pergunta, pelo fato do aspecto visual ser um dos chamariz para os leitores. As pessoas têm curiosidade de “ver” como os fatos acontecem, e isso os jornais tem de resolver de alguma forma. Os infográficos cumprem esta função, de reconstituir algum fato de grande impacto, como a gripe suína, por exemplo, explicar como tal coisa funciona,etc, etc, etc.

Acredito que não só atrair o leitor, mas servir como instrumento de análise em profundidade. Este é um dos aspectos que tento compreender na minha pesquisa.

YA - Na edição de agosto (2009), o redator-chefe da Superinteressante anunciou mudanças que valorizaram mais a forma do que conteúdo para a revista manter-se no jogo. Isso prova que o infográfico é um gênero de mesma valia das matérias?

AR - Na verdade, a infografia é antes de tudo, visual, estético. Ela é a apresentação gráfica na informação. Dito isto, para se fazer gênero há que considerar a estrutura narrativa, responder as questões clássicas do jornalismo (o que, quem,quando, onde, por que),  ter uma certa sistemática no cotidiano do jornal,  se for publicado independentemente da matéria, ou seja de forma autônoma, dando conta da informação por si só. A infografia carrega os mesmos principios de uma reportagem, se formos notar bem.

A Super sempre valorizou o discurso visual em suas reportagens, é uma revista que mais investe nesta área, tendo inclusive, ganho várias medalhas na premiação mais importante de infografia, no Malofiej, que acontece anualemente na Espanha. Hoje este debate acadêmico ainda perdura, se a info é um gênero ou não. Para mim, é gênero se tiver em acordo com os preceitos acima descritos, em pé de igualdade a uma reportagem.

No mercado, apesar deste debate esteja crescendo, ela ainda é vista como complementar a uma matéria, um auxílio ao texto escrito. Observe os infográficos interativos do G1. Raramente é publicado de forma autônoma, e sim, como complemento da matéria, que para eles, o texto continua prevalecendo.  Mas em outros jornais on line, como o Estadão, por exemplo, ela é publicada isoladamente, e isso é um ótimo sinal de que a infografia esteja em fase de amadurecimento,mas depende de como a empresa o enxerga como tal e o trata.

YA  - Qual a sua avaliação da infografia no Brasil e, principalmente, nos jornais baianos?

AR - De uma maneira geral, a cultura da infografia no Brasil é ainda mais forte no impresso do que no on line.  Temos excelentes jornais e revistas nesta área que valorizam bastante o jornalismo visual nas reportagens, como a Folha de S. Paulo (uma das primeiras a usar infográficos nas suas páginas), Jornal do Commércio, Estadão, Revista Época, Super, Mundo Estranho, agora a Nova Escola, vários.

Já no on line, acredito que ainda falta maturação por parte de algumas empresas que o enxergam como algo sem credibilidade e sem futuro algum. O que observo em grande parte das infografias on line são estáticas, duras, sem nenhuma interatividade ou dinamismo para o incremento da narrativa visual. Isto é, se configuram como mera transposição do impresso para a web, quando poderia explorar todos os elementos e características da Web…

A instituição do (bom)infográfico enquanto discurso gráfico passa por investimento, e acima de tudo, valorização de que aquela info dá conta da informação. E isso é um processo que precisa está sintonizado com a linha editorial do jornal, com o invesitmento em recursos humanos. Para os jornais mais conservadores, é preciso apostar. E apostar, precisa acreditar.

YA - Adaptar a arquitetura da informação das páginas da Web para os dispositivos móveis é um dos principais desafios para os jornais, atualmente. Como este processo tem se desenvolvido no que tange os infográficos? Já existem experiências pensando em smartphones e celulares?

AR - Bem, ainda não conheço experiências infográficas em dispositivos móveis. Como afirma Xaquín González,editor gráfico do jornal on line The New York Times, são projeções futuras, dada a evolução das redes telemáticas.

A infografia ainda tem uma característica que temos levar em consideração: a ampliude espacial da informação. Há infográficos que permitem uma espécie de “imersão” naquela estrutura informativa, em que a interatividade é o elemento central em jogo. É um dos poucos produtos jornalísticos em que a dimensão espacial é importante. Ela se torna atraente por causa disso, pela diversidade nos modos de visualização que proporciona.

Não sei se infográficos feitos para os dispositivos móveis teria a mesma expressividade, embora o celular hoje é um mini-computador, com caráter híbrido, multifacetado, mutável, onde todas as possibilidades estão sendo testadas constantemente. Se vai ser uma evolução ou revolução, prefiro não fazer futurologias a este respeito, e esperar o processo acontecer.

*Adriana Alves Rodrigues
é jornalista, mestranda em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia – UFBA e especialista  em Jornalismo Contemporâneo pelo Centro Universitário Jorge Amado- UNIJORGE (2009). No mestrado, inciado no começo de 2008 e sob a orientação do professor Marcos Palacios, investiga a relação entre os infográficos multimídia e as bases de dados, partindo da premissa de que difere do modelo de produção de infografias atualmente, baseado em animações e 3D. Trata-se do atual estágio em que se encontra a infografia para a Web, que além da inserção das Bases de dados, implica em outro processo de análise jornalística e do desgin da informação.

04

agosto
2009
Time: 10:44

Como o sistema wiki pode ajudar o jornalismo?

Posted by admin

Este é o título do artigo que escrevi para a Revista Espírito Livre, que lançou nesta quinta-feira a sua terceira  edição com o tema Wiki e os novos modelos de construção de conhecimento. A revista é colaborativa e elaborada por muita gente interessante. O foco é software livre, cultura colaborativa, internet e afins.

Nesta edição, destaque para a entrevista com Jimmy Wales criador da Wikipedia que aborda o modelo
wiki de colaboração, seus projetos e principalmente sobre a Wikipedia, a maior enciclopédia do mundo. Há ainda artigos sobre Software Público, Segurança da informação, Humos, GNU/Linux,  Games…A lista é longa, portanto clique aqui e faça o download da revista.

Aqui o link direto para  artigo “Como o sistema wiki pode ajudar o jornalismo?”

04

junho
2009
Time: 12:41

Google pode comprar jornais, diz Eric Schmidt

Posted by admin

Para quem gosta daquelas teorias da conspiração de que o Google irá dominar o mundo, esta informação irá aumentar o pânico de alguns crentes em tal “revelação”. Em entrevista ao Finalcial Times, o presidente do Google, Eric Schmidt, disse que estuda a possibilidade de comprar veículos de comunicação. O interesse do Google teria aumentado após a crise financeira vivenciada por alguns jornais no setor de publicidade. Há quem aposte na compra de 20% das ações do New York Times pelo Google.

Schmidt deixa muito claro que o interesse em adquirir jornais não implica cruzar tecnologia com conteúdo. Para o presidente do Google, a saída é trabalhar com os responsáveis pela publicadade dos medias para melhorar o funcionamento dos anúncios online e criar sistemas de micropagamentos, mas (e é interessante a concepção do Schmidt) tal sistema seria apliacado apenas na mídia especializada, tendo em vista que as notícias cotidianas podem ser encontradas, gratuitamente, em outros sites.

Google News

Questionado sobre as críticas dos medias a indexação realizada pela Google News e, principalmente, sem nenhum retorno financeiro para os jornais, Schmidt disse buscar ampliar o diálogo com as empresas de comunicação para encontrar uma solução equilibrada para ambos.

Dívidas ainda são um problema

Dentre os jornais que estão na mira do Google, Schmidt comentou que eles ainda são muito caros e com grandes dívidas, ou seja, incorporar jornais, neste momento, na estrutura do Google não traria lucro.

Via El País

21

maio
2009
Time: 13:49
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