Herdeiro do Caos

A revolução será remixada…

Primeiro vídeo do YouTube faz 5 anos

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Nesta sexta-feira (23) o primeiro vídeo publicado no YouTube faz cinco anos. Ao longo dos anos, o YouTube evoluiu de um repositório de vídeo para um espaço de expressão pessoal.

No início era Your Digital Vídeo Repository (Seu repositório de Vídeos Digitais) e hoje Broadcast yourself (algo como Transmitir-se). Penso que não há exemplo melhor da cultura participativa na Web do que o YouTube.

Nessa data comemorativa resgato um post que fiz acerca do livro “YouTube e a revolução digital – como o maior fenômeno da cultura participativa está transformando a mídia e a sociedade”

23

abril
2010
Time: 12:55

Novo livro de André Lemos e Pierre Lévy aborda “futuro da internet e ciberdemocracia”

Posted by admin

Acabo de comprar o livro “O futuro da internet - em direção a cibermocracia planetária” de André Lemos e Pierre Lévy. A obra foi lançada nesta semana pela editora Paulus.

Veja a sinopse do livro:

A cibercultura evoca sempre um pensamento sobre o futuro. Sonhos e pesadelos estão associados ao desenvolvimento tecnológico e não poderia ser diferente com as novas tecnologias digitais. Volta o velho sonho de um mundo da comunicação livre, sem entraves, democrático, global. Este imaginário sempre retorna com o surgimento de redes técnicas, sejam elas de informação, comunicação ou de transportes. Foi assim com o telégrafo e a estrada de ferro; com o rádio, o telefone, os navios e as autoestradas; com a TV, os aviões, a viagem à Lua e a Internet. O desenvolvimento técnico nos coloca na vertigem do futuro e na urgência do presente, criando utopias e distopias que podemos apreender pelos discursos publicitários, acadêmicos, jornalísticos ou artísticos. Devemos diagnosticar o presente e tencioná-lo com o passado para pensar o futuro. Este livro é o exercício de uma utopia (no bom sentido, como afirma Lévy no seu prefácio) para pensar a ciberdemocracia. Mas só podemos fazer isso olhando com atenção e sem preconceitos para a cibercultura do presente.

22

abril
2010
Time: 15:07

Resumo do livro “YouTube e a revolução digital”

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Não há melhor exemplo da cultura participativa na Web do que o YouTube. O site que iniciou suas atividades em junho de 2005 como um mero repositório de vídeos evolui para um espaço onde os usuários “se transmitem”. Ao mesmo tempo em que é um novo ambiente de poder midiático, também é uma mídia de massa.

A lógica cultural do YouTube não passa pela diferenciação “amador” x “profissional”, mas pela apropriação realizada pelos participantes no site e fora dele. Para o YouTube, a cultura participativa não é somente um artifício ou um adereço secundário; é sem dúvida, seu principal negócio.

Apesar de potencializar a cultura colaborativa, a arquitetura e a filosofia do YouTube ainda tornam a participação mais individual do que coletiva. Entretanto, os usuários do o YouTube podem utilizá-lo para conectar-se às redes sociais e culturais para além dos domínios do YouTube, integrando conteúdo e circulando conhecimento.

Não seria demais dizer que o YouTube consiste em uma esfera cultural pública, potencializado a cidadania cultural cosmopolita, uma vez que os vídeos mais frenquentes armazenados no site dizem respeito à vida cotidiana dos cidadãos, seus valores, pensamentos e cultura.

Por fim, ao pensar sobre o sucesso do YouTube, fica claro que o site soube casar a parte comercial com uma plataforma de participação cidadã. Ao mesmo tempo em que cadeias de TV enxergam no site uma forma de convergência e mecanismo para atrair a atenção do público, uma cultura marginal se apropria da plataforma para resgatar manifestações populares, promover eventos artísticos e, porque não, criticar o próprio YouTube quando este se distancia dos seus princípios fundamentais “aberto a todos” e “ambiente para transmitir-se”.

Esses são os principais argumentos defendidos por Jean Burgess e Joshua Green no livro “YouTube e a revolução digital – como o maior fenômeno da cultura participativa está transformando a mídia e a sociedade”, Aleph, 2009. A obra é divida em seis parte (A importância do YouTube, o YouTube e a mídia de massa, A cultura popular do YouTube, A rede social do YouTube, A política cultural do YouTube e os caminhos incertos do YouTube) e conta com um artigo do Henry Jenkins (o que aconteceu antes do YouTube?) e um do John Hartley (utilidades do YouTube: alfabetização digital e a expansão do conhecimento).

YouTube e a revolução digital é uma boa síntese da atuação do site, como ele influenciou a Web, aponta elementos do sucesso do site, identifica a sua relação com a cultura participativa e plataforma para a cultura cosmopolita. Se me permite resumir o livro em um tweet diria: Um manual de instruções para analisar as potencialidade do YouTube e entender como ele se tornou o ambiente midiático mais importante da Web.

A seguir, as idéias mais importantes descrita pelos autores (se preferir leia o resumo em .doc)

A origem do YouTube

Fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, ex-funcionários do site de comércio on-line PayPal, o site YouTube foi lançado oficialmente sem muito alarde em junho de 2005.  (pg. 17 e 18)

Receita do sucesso

O sucesso chegou em outubro de 2006, quando o Google pagou 1,65 bilhão de dólares pelo YouTube. Em novembro de 2007, ele já era o site de entretenimento mais popular do Reino Unido, com o site da BBC em segundo lugar. (pg. 18)

De acordo com a comunidade tecnológica, a ascensão do YouTube pode ser traçada a partir de um perfil do site publicado pelo respeitado blog de tecnologia e negócios TechCrunch em 8 de agosto de 2005, que entrou como destaque na home page do Slashdot, que criticou prontamente a arquitetura tecnológica do YouTube como o colocou em suas listas de sites que mereciam atenção (pg. 19)

Para Jawed Karim, o sucesso do site se deve à quatro recursos essenciais: recomendações de vídeos por meio da lista de “Vídeos relacionados”, um link de e-mail que permite o compartilhamento de vídeos, comentários (e outras funcionalidades inerentes a redes sociais) e um reprodutor de vídeos que pode ser incorporado (embed) em outras páginas da internet. (pg. 19)

Outra versão para o sucesso do YouTube está relacionada a um quadro cômico do Saturday Night Live que mostrava dois nova-iorquinos nerds estereotipados cantando um rap sobre comprar bolinhos e assistir As crônicas de Nárnia. Em dezembro de 2005 esse clipe – intitulado Lazy Sunday (Domingo de preguiça) – tornou-se o que poderia ser chamado de primeiro hit do YouTube. (pg.19)

Mudança na filosofia do YouTube – de repositório de vídeo para expressão pessoal

No início, o site trazia o slogan Your Digital Vídeo Repository (Seu repositório de Vídeos Digitais), uma declaração que, de alguma maneira, vai de encontro à exortação atual, e já consagrada, Broadcast yourself (algo como Transmitir-se). Essa mudança de conceito do site – de um recurso de armazenamento pessoal de conteúdo em vídeo para uma plataforma destinada à expressão pessoal – coloca o YouTube no contexto das noções de uma revolução liderada por usuários e caracteriza a retórica em torno da “Web 2.0” (Grossman, 2006b) (pg. 20 e 21)

Para o YouTube, a cultura participativa não é somente um artifício ou um adereço secundário; é sem dúvida, seu principal negócio. (pg.23)

YouTube como site de cultura participativa

Cultura participativa é um termo geralmente usado para descrever a aparente ligação entre tecnologias digitais mais acessíveis, conteúdo gerado por usuário e algum tipo de alteração nas relações de poder entre os segmentos de mercado da mídia e seus consumidores. (…) a definição de “cultura participativa” de Jenkins estabelece que os “fãs e outros consumidores são convidados a participar ativamente da criação e circulação do novo conteúdo” (Jenkins, 2006a) (…) as novas configurações econômicas e culturais que a “cultura participativa” representa são tão contestadora e incômoda quanto potencialmente libertárias. (pg. 28)

A criação e o compartilhamento de vídeos atuam do ponto de vista cultural como um meio de estabelecer redes sociais em oposição ao modo de “produção” cultural. (pg. 47)

YouTube e mídia de massa

O YouTube representa claramente uma ruptura com os modelos de negócios da mídia existentes e está surgindo como um novo ambiente do poder midiático. Ele tem recebido muita atenção da imprensa e agora faz parte, mesmo que aceito de maneira relutante, do cenário da mídia de massa.

A classificação repetitiva do YouTube como site amador “abertos a todos” e não como um local de convívio comunitário ou experimentação artística, por exemplo, o situa como espaço no qual o público ou as massas vão se elevando da base, de maneira que os assuntos de interesse que o cercam estejam relacionados à ausência de leis, crise de conhecimento e o colapso dos valores culturais. Do mesmo modo, os discursos da mídia de massa sobre o YouTube têm o poder de definir os problemas que mais tarde assumirão a forma de políticas, leis e até mesmo uma forma material, fazendo com que as preocupações com “pirataria” ou “ciberintimidação” transmitam a impressão de que intervenções regulatórias são necessárias – como o Gerenciamento Digital de Direitos (DRM) para combater a pirataria ou bloquear o acesso de computadores escolares ao YouTube como o intuito de combater a ciberintimidação. (pg. 35 e 36)

Os significados do vídeo amador

Uma suposição comum que permeia os julgamentos mais elogiosos à democratização da produção cultural (Grossman, 2006a, 2006b) é a de que talento puro e simples combinado à distribuição digital pode se converter diretamente em sucesso legítimo e fama na mídia. (…) O YouTube já foi literalmente mitificado como um meio de Broadcast yourself (Transmitir-se) para o mundo da fama e da fortuna (43 e 44)

Popularização x democratização

O aumento da representação de pessoas comuns como celebridades temporárias ou em potencial na mídia de massa representa mais a “população” do que a “democratização” da mídia. (pg. 44 e 45)

Direitos autorais

A violação de direitos autorais propõe um discurso sobre a ameaça às indústrias do entretenimento representada por consumidores não avaliados mas imbuídos de poder. (pg 53)

YouTube como mídia de massa

A mídia só admite a importância cultural do YouTube apenas quando sua articulação com as formas tradicionais legitimadas podem ser demonstradas: debate político em massa, como a cobertura do debate YouTube/CNN como parte do início da campanha presidencial de 2008 no Estados Unidos (Feldman, 2007; Dilanian, 2007); ou educação e aprendizado institucionalmente legitimado, como se deu quando várias universidades de prestígio começaram a fazer uploads de vídeos de palestras e aulas completas no YouTube (Alexandre, 2007; E. Lee; Kessler, 2007) (pg. 59 e 60)

A revolução digital mudou os hábitos de consumo

O consumo se tornou uma fonte de criação de valores e não somente seu ponto de chegada. O consumo de mídia, de acordo com esse modelo, se distanciou da atividade de “somente leitura” para se tornar um modelo de “leia e escreva”. (pg. 72)

Upload é uma prática social que produz sentido

O upload de conteúdo de mídia tradicional para o site constitui parte de uma gama mais sofisticada de práticas culturais do que uma simples tentativa de “compartilhar arquivos” ou de burlar sistema de distribuição nos âmbitos nacionais ou comerciais (pg. 74)

A agenda do YouTube

Frequentemente, as citações presentes na categoria Mais Vistos tendem a refletir os tópicos que já estão no topo da agenda pública e não as noticias mais recentes (pg. 74)

A circulação de conteúdo

O conteúdo circula e é usado no YouTube sem preocupações quanto a sua origem – ele é valorizado e gera envolvimento de modos específicos, de acordo com seu gênero e seus usos dentro do site, assim com sua relevância na vida cotidiana de outro usuários, e não pelo fato de seu upload ter sido feito por um estúdio de Hollywood, uma empresa de Web TV ou por um videoblogueiro amador. (pg. 83)

A rede social do YouTube

A YouTube Inc. pode ser vista como a “patrocinadora” da criatividade coletiva, controlando ao menos parte das condições sob as quais o conteúdo criativo é produzido, organizado e representado para interpretação das audiências (pg. 88)

Apesar da falta de elementos tradicionais das redes sociais, o YouTube cria uma rede social

A arquitetura do site não convida abertamente os usuários ao desenvolvimento de comunidades, colaboração ou trabalho de grupo orientado. (…) Não há um convite óbvio para a colaboração com outros usuários, para remixagem ou citação dos vídeos de outros usuários. (pg. 91)

Apesar de sua retórica comunitária, a arquitetura e o design do YouTube convidam mais à participação individual do que à atividade colaborativa; qualquer oportunidade de colaboração tem de ser especialmente criada pela própria comunidade do YouTube ou por meio de um convite especial da empresa. (…) No entanto, entradas colaborativas e remixadas de vlogs foram uma característica bastante notável nos conteúdos mais populares de nossa análise. (pg. 93)

A comunidade está presa a arquitetura do site

Os YouTubers, enquanto agentes culturais, não são prisioneiros da arquitetura do YouTube e apresenta a permeabilidade do YouTube como sistema. Ele se conecta às redes sociais e culturais que o cercam, e usuários integrados a essas redes movem seu conteúdo e suas identidades para dentro e para fora de vários sites. O YouTube nunca funcionou como um sistema fechado, fornecendo desde o começo ferramentas para incorporação de seu conteúdo em outros sites, como blogs. À luz dessas informações, é surpreendente que essa portabilidade de conteúdo em ambas as direções do site não receba maior suporte por parte do próprio serviço. (pg. 94)

Alfabetização digital

A alfabetização digital é um dos principais problemas da cultura participativa. (pg. 98)

A participação ativa e criativa também pode ser usada para ajudá-los a serem mais “críticos” em relação às mensagens da mídia. (…) “Alfabetização” não é uma coisa evidente que o indivíduo pode possuir, assim como não o são qualquer uma das outras “alfabetizações” específicas possíveis. Alfabetizações, de fato, são produzidas por contextos sociais e históricos e neles são praticadas. (…) “Ser letrado” no contexto do YouTube, portanto, significa não apenas ser capaz de criar e consumir o conteúdo em vídeo, mas também ser capaz de compreender o modo como o YouTube funciona como conjunto de tecnologias e como rede social. (pg. 99, 100 e 101)

A política cultural do YouTube

O YouTube é um empreendimento comercial. Mas também é uma plataforma projetada para viabilizar a participação cultural dos cidadãos comuns. Ele é um exemplo muito claro de uma tendência abrangente em direção a convergências conflitantes de formas de produção cultural comerciais e não comerciais no ambiente digital, onde esses tipos de produção cultural marginais, subculturais e comunitários são incorporados, em virtude de seu projeto, à lógica comercial das grandes corporações de mídia. (pg. 104)

YouTube como esfera cultural pública

O YouTube é grande e global o suficiente para ser levado em conta como um importante mecanismo de mediação para a esfera cultural pública. (pg. 107)

Pelo fato de grande parte do material simbólico mediado pelo YouTube ter sua origem na vida cotidiana de cidadãos comuns, ou por ser avaliado, discutido e custodiado por eles, é que o YouTube representa, em teoria, um site de cidadania cultural cosmopolita. (pg.110)

O YouTube é um site potencial para a cidadania cultural cosmopolita – um espaço no qual os indivíduos podem representar suas identidades e perspectivas, envolver-se com as representações pessoais de outros e encontrar diferenças culturais. (pg. 112)

Desafios para o YouTube

Encorajar anunciantes atuarem dentro do YouTube e não só colocar anúncios no YouTube (pg. 138)

18

janeiro
2010
Time: 7:34

Yes we did: os segredos da campanha online de Barck Obama

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Reportagem do EL PAÍS entrevistou Rahaf Harfoush, uma das coordenadoras da campanha online de Barack Obama na disputa presidencial nos Estados Unidos. Harfoush comentou as estratégias adotadas pela equipe para mobilizar os cidadãos via Web e converter o “discurso da esperança” em voto.

Apesar de ao longo da campanha terem reunido 3,2 milhões de amigos no Facebook, 137 mil seguidores no Twitter e postar 1.824 vídeos no YouTube, Harfoush diz que o importante é a estratégia, e não a tecnologia.

“É fácil criar perfis, obter amigos no Facebook ou manter um blog, mas o nosso objetivo era fazer com as pessoas saíssem de suas casas e votassem em nossas propostas”

Harfoush revela ainda que a equipe responsável pela campanha nos novos meios de comunicação, trabalhou sob o conceito da hipersegmentação, ou seja “nada de mensagens massiva. O segredo é o máximo de personalização no envio das mensagens.

“As pessoas se guiam mais pelas opiniões dos seus familiares, amigos, vizinhos do que pelos especialistas e pela televisão. Com a Internet e as redes sociais, houve uma potencialização do boca a boca”

Obviamente, Harfoush não esqueceu da importância da colaboração em campanhas online. Durante o período eleitoral, 35 mil voluntários conseguiram 13 milhões de emails de “eleitores potenciais”, que foram decisivos para a divulgação da campanha, sem falar na arrecardação de 750 milhões de dólares para o fincanciamento da campanha

“Nem os governos e nem as empresas controlam as mensagens. Com a Internet, as pessoas podem fazer o upload de um vídeo no YouTube, denúnciar uma repressão via Twitter ou criticar um produto”

Para quem se interessa pela temática, Rahaf Harfoush lançou o livro Yes we did, que conta as estratégias da campanha presidencial de Barack Obama.

13

agosto
2009
Time: 15:32

Juliano Spyer lança livro sobre o Twitter

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O Juliano Spyer lançou nesta segunda-feira (10)  o livro “Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)”. Na obra é possível encontrar informações sobre o Twitter, tanto nos aspectos comerciais, distribuição de informações, ciberativismo e afins.

Spyer dividiu o livro em três partes. Termos, como funciona e conceitos básicos do Twitter são apresentados na primeira parte. Na segunda, é possível encontrar diversos estudos de casos relacionado ao uso corporativo da ferramenta e por fim, números sobre o Twitter e previsões sobre o serviço.

O bacana é que o conteúdo ficará disponível na internet com uma licença Creative Commons e será mais fácil compartilhar e “baixar” a obra.

Download do livro

11

agosto
2009
Time: 0:31

Redes e Cidades

Posted by admin

A cidade é o elemento fundamental da organização do espaço e por excelência, lugar de concentração e efervescência da vida social, econômica, política e cultural. A apropriação dos espaços acontece por diferentes usos e por diferentes sujeitos sociais, o homem utiliza e molda a cidade, a recíproca é igualmente verdadeira.

As novas tecnologias podem criar novas localizações uma vez que exigem infra-estruturas modernas para a disseminação das informações, e, ao mesmo tempo, liberam espaços até então utilizados na cidade. Espaços que poderão receber formas de ocupação diferentes das anteriores, surgindo assim, novos usos do solo da cidade.

Este é o pensamento do Eliseu Savério Sposito em seu livro “Redes e cidades”. O livro, dividido em quatro capítulos (Cidades, Redes, Redes de cidades e Cidades em rede) aborda o conceito de rede geográfica, materializada pela rede urbana e, de modo específico, pela rede de internet, que configura a relação entre as novas tecnologias de informação e o cotidiano de pessoas e empresas.

Abaixo, as principais idéias do Sposito, divididas por capítulos

1- Cidades

Conceito de cidade

“É por excelência, lugar de concentração e efervescência da vida social, econômica, política e cultural” (pg. 12)

“É o elemento fundamental da organização do espaço” (pg. 14)

“Se o homem utiliza e molda a cidade, a recíproca é igualmente verdadeira” (pg. 14)

“Em outras palavras, significa que há formas de apropriação dos espaços por diferentes usos e por diferentes sujeitos sociais” (pg. 15)

A divisão do trabalho e as cidades

“A divisão do trabalho (que pode ser mais precisa quando chamada de divisão territorial do trabalho) é uma base teórica mais complexa, que requer a informação geográfica  muitas vezes difícil de obter, e ao mesmo tempo mais concreta para se compreender o que é a cidade e o que é urbano, porque é a manifestação territorial das relações de produção” (pg. 18)

Conceito de espaço urbano

“O espaço urbano é um produto social, resultado de ações acumuladas através  do tempo e engendradas por agentes que produzem e consomem o tempo” (CÔRREA, 1989) (pg. 24)

Tipologia do crescimento das cidades

- Populacional – um dos principais indicadores para se identificar as cidades, tanto no nível do senso comum quanto no nível das estatísticas, é o número de habitantes. (pg. 27)
- Horizontal – é definido pelo perímetro da cidade com sua planta urbana, que vai se desdobrando com novos loteamentos ou ações que resultam na incorporação da terra rural à sua área. Assim, o estabelecimento de unidades comerciais e industriais ou de moradias só pode ser feito em regiões já existentes na cidade ou em locais incorporados e destinados a esse fim. (pg. 28)

- Vertical – os empreendimentos imobiliários, representados pelos edifícios de três ou mais pavimentos, que modificaram a cidade verticalmente associados, há menos tempo, a eixos de orientação do tráfego (grandes avenidas, retificações ou canalizações de curso d’água, por exemplo), os distritos industriais, a princípio, e os shoppings centers, atualmente são os elementos catalisadores das mudanças internas da cidade, uma vez que redirecionam a localização das habitações e dos equipamentos comerciais e de serviços. (pg. 29)

Teletrabalho e as cidades

Com a instituição do teletrabalho, surgem três tipos de práticas urbanas assumidas pelos habitantes das cidades: a) a prática “telependular”, isto é, o trabalho é realizado “alternando-se o escritório habitual do assalariado e seu domicílio de proximidade”; b) a prática definida pela relocalização de atividades, de empresas e da administração para fora das cidades; e c) os teleserviços (televigilância médica, telemanutenção de equipamentos, teleconferências de ensino, telecultura etc) são práticas que, assumidas pelas pessoas que residem nas cidades, fazem parte dos elementos estruturadores do espaço urbano porque condicionam a localização das habitações e de empresas (pg. 30).

Novas tecnologias e as cidades

As novas tecnologias devem ser entendidas como elementos responsáveis por seu dinamismo e por sua forma. (…) As tecnologias podem criar novas localizações uma vez que exigem infra-estruturas modernas para a disseminação das informações, e, ao mesmo tempo, liberam espaços até então utilizados na cidade. Espaços que poderão receber formas de ocupação diferentes das anteriores, surgindo assim, novos usos do solo da cidade (pg. 31)

Cidade x tempo

A aglomeração no espaço urbano permite a “aceleração do tempo”, ou seja, a “aglomeração/proximidade humana proporcionada pelo espaço urbano favorece e acelera a produção/difusão do novo” (HAESBAERT, 2002) (pg. 32)

Ligações entre as cidades

De início, ampliando o foco dessa observação, podemos dizer que a mundialização do capital se faz, primordialmente, baseada nas revoluções logísticas, uma vez que estas são decorrentes de: 1) incorporação das tecnologia aos transportes para aumentar a velocidade dos fluxos de capitais e da circulação de informações, sobretudo aquelas ligadas às novas idéias que permitem maior rapidez e flexibilidade na circulação de mercadorias que podem gerar lucros para os proprietários das empresas; e 2) criação das necessidades associadas ao consumo de bens não elaborados no circuito produtivo, como a utilização da paisagem para o turismo, do misticismo para a paz individual. (pg. 35 e 36)

2- Rede

Conceito de rede

A estrutura em rede se generaliza, assegurando circulação e difusão da informação, permitindo a coordenação das atividades e a transmissão rápida das instruções e dos resultados (pg. 47) (DELAPIERRE, 1995)

Citando Castells, diz que a rede é a mensagem porque, pela internet, é possível “distribuir o poder da informação por todos os âmbitos da atividade humana”, já que ela “constitui, atualmente, a base tecnológica da forma organizativa que caracteriza a era da informação: a rede”, que significa, por sua vez, “um conjunto de nós interconectados” (pg. 53 e 54)

3 - Redes de cidade

A comunicação e a formação das redes de cidades

Segundo Ana Fani Carlos, “as comunicações diminuem as distâncias tornando o fluxo de informações contínuo e ininterrupto: com isso, cada vez mais o local se constitui na sua relação com o mundial. Nesse novo contexto, o lugar se redefine pelo estabelecimento e/ou aprofundamento de suas relações numa rede de lugares” (pg. 89)

Comunicação tornou possível a mundialização

Não é necessário que todos os processos produtivos estejam localizados em um mesmo lugar, mas sim que a conexão entre as unidades de produção seja rápida e eficiente. (pg. 91)

Conceitos cidades globais

Citando Carroué diz que as cidades globais funcionam como lugares dos centros dos poderes contendo os pólos de comando e de gestão políticos, econômicos, industriais e financeiros [como] nós privilegiados da circulação das riquezas, dos homens, dos saberes e das informações (portos, aeroportos, telecomunicações, pesquisa e inovação) (pg. 93)

Trabalhadores e cidades globais

Os trabalhadores têm de ser “adaptáveis, flexíveis e, se necessários, geograficamente móveis (pg. 96)

4 - Cidades em rede

O desenvolvimento das redes tem três tipos de conseqüência: 1) sobre a extensão e os limites do território em que ela se desenvolve e se dinamiza; 2) sobre a extensão das malhas, o que significa sobre a amplitude do território em que ela está implantada; e 3) sobre a posição relativa de certos pontos, considerados nós (ou as principais cidades), em relação aos demais, pontos da rede, que podem ter importâncias diferenciadas no conjunto global (pg. 121)

No futuro, as cidades estarão, por todas as partes e ao mesmo tempo, em nenhuma parte, e a sociabilidade não será mais fundamentada na proximidade entre as pessoas ou entre os lugares, mas no movimento das pessoas e das informações (pg.125)

24

junho
2009
Time: 3:02

Apontamentos para a história da imprensa na Bahia

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“Apontamentos para a história da imprensa na Bahia”. Este é o título do livro organizado pelo jornalista Luís Guilherme Pontes Tavares, lançado em homenagem ao bicentenário da instalação da imprensa no Brasil, comemorada em 13 de maio de 2008. A obra foi uma proposta da Academia de Letras da Bahia e da Assessoria Geral de Comunicação do Governo do Estado da Bahia – Agecom.

O livro, como indica o título, é um apontamento para se compreender os momentos mais marcantes da imprensa na Bahia, passando pela fundação do primeiro jornal, os cenários e realidades de cada época e como estes influenciaram a criação dos jornais e/ou dão pistas para o entendimento sobre o desenvolvimento dos jornais no estado. A obra é uma coletânea de artigos, memórias e discurso de governadores, jornalistas, historiadores e pesquisadores da temática. Em alguns textos, o relato quase pessoal da atuação da imprensa e suas características valem mais do que cronologia histórica de detalhes épicos sobre o tema.

“Cada contribuição busca enfocar um aspecto individual ou coletivo, sendo todos significativos para a reconstrução da história da imprensa. Trata-se de uma tentativa de preservar registros feitos, de maneira espontânea e a partir de várias dimensões e perspectivas, sem rigor acadêmico e sem maiores pretensões, salientando aspectos da trajetória da imprensa baiana”, diz o professor Sérgio Mattos, no prefácio do livro.

Os artigos reunidos no livro foram elaborados entre 1889 e 1986 por Aloysio de Carvalho, Aloísio de Carvalho Filho, Antonio Loureiro de Souza, Antonio Viana, Arthur Arezio da Fonseca, Honestílio Coutinho, Jorge Calmon, Luiz Viana Filho, Milton Santos, Octavio Mangabeira, Pedro Calmon e Raimundo Bizarria.

Narrar a história já um trabalho laborioso, fazer um resumo de detalhes volumosos presentes no livro, é uma tentativa frustrada de resumir. De qualquer modo, fica a indicação para aqueles que busquem entender parte da história da imprensa baiana e três momentos que julguei mais importantes do livro:

O início

Em seu artigo, o ex- Governador Octavio Mangabeira lembra que em 24 de dezembro de 1810 el-rei dom João VI autorizou o negociante português Manoel Antonio da Silva Serva que fundasse uma oficina de imprensa em Salvador, porém qualquer artigo a ser publicado precisava de autorização prévia do governo.

Em 14 de maio de 1811 iniciava a história do jornal Idade d’Ouro do Brazil, o primeiro do estado, em um pequeno cômodo no bairro do Comércio. A publicação contava com os escritos do bacharel Diogo Soares da Silva Bivar, emigrado português, e do padre Ignácio José de Macedo. O formato era in-4º, com tiragem bissemanal sob o lema “Falae em tudo verdades, a quem em tudo as deveis”. O jornal trazia ainda a nota “com permissão do governo”.

Imprensa Moderna

Até 1912, com o surgimento de A Tarde, os jornais baianos eram, acima de tudo, um instrumento político. O ex-Governador, Luiz Viana Filho costumava dizer que os jornais era um “seguro degrau para a vida pública”. Os repórteres e redatores eram praticamente amadores, sem nenhuma profissionalização, como mais tarde se notou com o nascimento do Jornal da Bahia em 1958. Em termo de organização da imprensa, observa-se o principio com a criação da Associação Bahiana de Imprensa, por Ranulfo Oliveira

Imprensa oficial

A história da Imprensa Oficial do Governo do Estado da Bahia teve início em 1912, após a posse de José Joaquim Seabra, que planejou a criação de um programa para normalizar o serviço de publicações oficiais, que até então era realizado por empresas particulares.

A inauguração data de 7 de setembro de 1915. O primeiro prédio estava localizado na rua da Misericórdia, entre a Praça Rio Branco e a Igreja da Sé, sob o comando de José de Aguiar Costa Pinto. 588 pessoas trabalhavam no órgão.

A primeira edição do Diário Oficial saiu a 1º de outubro de 1915 com 64 páginas. Na capa a foto do governador, e na seqüência informações sobre o regulamento da Imprensa Oficial, economia, política e notícias sobre o Estado.

Confira a ordem cronológica das primeiras publicações na Bahia

1812 – As Variedades ou Ensaios de Litteratura

1821

1 de março – Semanário Cívico

7 de abril – Minerva Bahiense

4 de agosto – Diário Constitucional

1822

10 de abril – O Constitucional

21 de junho – Sentinella Bahiense

12 de agosto – Espreitador Constitucional

24 de agosto – Idade de Ferro

2 de dezembro – A Abelha

1823

19 de agosto – Echo da Pátria

1824

13 de fevereiro – Grito da Razão

16 de novembro – Correio da Bahia

1827 – O Farol

1828 – O Soldado de Tarimba Sentinella Constitucional da Liberdade e a Gazeta da Bahia

1829 – A funda de David defronte do Bahiano, A Massa de Hercules

1830 – Imperial Brazileiro, Campeão Brazileiro, O Português

1831- O Sentinella da Liberdade, A Milícia, o Esquadrinhador, O Voto Bahiense, O Pereira, O Paschoal, A Jovem Bahiana, A Ronda dos Capadocios e Os Contrabandistas

1832 – O Tolo Fallador, Choradeira dos Banzelistas, a Quaresma Política, O Paschoal contra os Banzelistas, O Viajante, O Escrivão e revistando o portacollo, O descobridor de verdades, O diabo disfarçado em urtiga

1833 – O doudo nos seus lúcidos intervallos, a Conversa dos sinos da Bahia e a Gazeta Commercial da Bahia

1834 – O Frade, O Tribuno Brazileiro

1836 – O Gallo de Campina, Aurora da Bahia

1837 – O Recopilador ou Livraria dos Meninos

1839 – O Theiopolita, O Brazileiro, Dois de Julho

1840 – O Gafanhoto, O Peru, o Frade Leigo

1841 – Escola Domingueira , O Progresso

1843 – O Rabequista

1845 – A Marmota

1848 – O Século

1856 – Jornal da Bahia, O Povo, O Patriota, Diário de Notícias, Correio da Bahia

1857 – A Semana, A Opinião, O Norte, O Correio Mercantil, O Noticiador Católico, O Caixeiro NAcional

1858 – Jornal da Tarde

1875 – O Diário de Notícias

1887 – Gazeta da Bahia

1897 – O Abolicionista, A República Federal, O Republicano, O Pantheon, O Álbum Nova Cruzada, O Papão

1900 – Revista do Grêmio Literário da Bahia, Revista Moderna de Letras e Artes

1911 - Os Annaes

1913 – Bahia Nova, A Justiça, Ad Lucem, A Malagueta, Revista da Associação Typographica Bahiana, Seara de Ruth, O Correio, O Anúncio, O Bentivi

1915 - O Democrata

1918 - O Imperial, A Hora, Correio da Tarde, A Renascença, as revistas,A Fita, Revista da Bahia, o Etc, Jornal Moderno

1919 - Revista Única, A Máscara

1920 – O Correio, A Notícia, A Cidade, A Manhã, A Noite

1930 – A Época, Era Nova, Fôia dos Rocêro, A Luva

1958 – Jornal da Bahia, sob o comando de João Carlos Teixeira Gomes


Ficha técnica
Apontamentos para a história da imprensa na Bahia
Luís Guilherme Pontes Tavares (org.)
EGBA, Salvador, 2008

23

junho
2009
Time: 8:18

Clube de autores: publique seu livro de graça

Posted by admin

Pesquisando sobre alternativas para a publicação de livros no novo buscador da Microsoft, o Bing (muito bom por sinal) encontrei o Clube de Autores, que permite a publicação de livros sob demanda e sem custo para os autores. O projeto foi lançado na última semana, mas já estava em teste desde fevereiro.

O funcionamento é simples: 1- upload do livro; 2-Definição do valor pela obra; 3-O Clube de Autores se responsabiliza pela venda e 4-você recebe o valor definido.

Quando o livro é comprado, o pedido vai diretamente para a gráfica, que imprime um a um, dá o acabamento final e despacha para o comprador – sendo que o autor recebe os direitos autorais após acumular-se um montante mínimo, de R$ 300,00, explica os idealizadores do projeto.

Se você pensa em publicar sua obra no Clube de Autores, atenção para a cláusula primeira, que diz:

Como titular dos direitos autorais de edição, publicação, reprodução e comercialização de todos os arquivos publicados no SITE pelo AUTOR, o AUTOR concede ao SITE, por prazo indeterminado, o direito de disponibilização na rede mundial de computadores (internet), a publicação e comercialização de todas as obras que cadastrar no SITE, em versão impressa e/ou versão digital.

01

junho
2009
Time: 16:27

A Tarde lançará projeto colaborativo Repórter Cidadão

Posted by admin

Duas boas notícias para quem pesquisa sobre o jornalismo colaborativo. Primeiro é o lançamento do livro “Citizen Journalism: Global Perspectives”, que será realizado durante esta  semana no ICA conference 2009. São 21 capítulos que abordam sobre as perspectivas e experiências colaborativas em diversos países (inclusive sobre o Brasil).

A segunda notícia soube através da jobomfim (via Twitter) que informa que o A Tarde irá lançar o projeto Repórter Cidadão na próxima segunda-feira (25). A idéia é “ouvir sugestões, denúncias e críticas do nosso público, checar informações e acompanhar todo o fluxo de produção do material jornalístico que possa ser pautado ou elaborado pela nossa audiência”, explicou o secretário de redação de planejamento do jornal, Wilson Gasino à reportagem do Master em Jornalismo.

Segundo Gasino, o Repórter Cidadão contará com uma “equipe treinada e dedicada para o diálogo com o cidadão”. Os colaboradores poderão participar através do email reportercidadao@grupoatarde.com.br e pelo telefone (71) 3340.8990. Repórter Cidadão contará ainda com o blog reportercidadao.atarde.com.br e do twitter www.twitter.com.br/reportercidadao para potencializar o diálogo com o cidadão.

Ainda de acordo com a matéria, o projeto levou oito meses para se consolidar e para a gerente de marcado de A Tarde, Hélide Borges, a iniciativa acompanha a tendência mundial de abrir mais espaço para o leitor: “Cada vez mais as pessoas querem participar da construção das notícias. Exemplo disto são as mais de 500 fotos de flagrantes da chuva torrencial que parou Salvador na primeira semana de maio. As imagens - publicadas inclusive na primeira página do jornal - foram enviadas pelos internautas, que participaram ativamente da cobertura em todas as mídias do Grupo A Tarde”.

Então é isso…a ver, a ver….

21

maio
2009
Time: 0:52

Entrevista exclusiva e imaginária com Philip Meyer

Posted by admin

Diria que “Os jornais podem desaparecer? – como salvar o jornalismo na era da informação” é um livro razoável. O Philip Meyer analisa as causas da “crise” dos jornais e jornalistas de forma interessante, nos Estados Unidos. Quando comparamos ao Brasil, acho distante tal realidade.

Quando o livro foi lançado lembro que a turma pegou uma previsão do Meyer e ventilou “os jornais vão acabar em 2043 e tal…”. Mas além de ser apenas uma previsão, o autor calculou número de habitantes x venda de jornal para fazer a previsão. Obviamente, que por essa lógica, os jornais não terão dias gloriosos, mas enfim…Abaixo um resumo das principais (julgo assim) defendidas pelo Meyer em seu livro.

Em seu livro “Os jornais podem desaparecer? – como salvar o jornalismo na era da informação – você sinaliza que os jornais, seja como negócio ou atividade social, passam por uma crise. Quais os elementos que contribuíram para a configuração deste cenário?

Um dos fatores foi a gradual dispersão da propriedade na América corporativa. Esta passagem dos jornais da família e dos amigos dos fundadores para investidores institucionais corroeu o profissionalismo. Buscou-se o lucro fácil e esqueceu-se do investimento a longo prazo. A lógica era: “Pegue o dinheiro e vá embora”.  Vale destacar que “o setor de mídia de massa se contraía quando comparado ao resto da economia, e que a mídia especializada se expandia para ocupar os espaços vazios. (p.12)”. Além disso, os laços entre comunidade e jornais foram enfraquecidos. Penso que “os laços de um jornal com a sua comunidade são um fator da sua credibilidade e, por implicação, sua influência” (p. 40)

A gradual perda de credibilidade também contribuiu para esta crise?

“O tamanho do mercado é causa da credibilidade (comunidades menores tendem a confiar mais), e credibilidade causa sustentabilidade” (p. 38). “Jornais confiáveis atraem mais leitores, e o efeito é mais forte onde a competição obriga os jornais a lutar por seus leitores. Em outras palavras, a credibilidade não apenas ajuda, ela ajuda principalmente onde é mais necessária” (p. 92).

Mas, a “culpa” é apenas dos empresários da comunicação ou o mercado tem um dedo neste processo?

Durante a maior parte do século XX os jornais eram verdadeiros monopólios da visibilidade pública. Os jornais eram como pedágio. Para que os varejistas pudessem “trafegar” neste universo era necessário pagar. “Ser dono de um jornal era como ter que recolher um imposto sobre a venda. Mas as novas tecnologias estão se desviando desse gargalo. Os varejistas atuais encontram outros caminhos para suas mensagens”. (p. 43)

E quais os critérios adotados pelo mercado para anunciar em um jornal?

O parâmetro tradicional para avaliar a publicidade são os pontos de audiência bruta ou “quantidade de pessoas”. (p. 57). Outra questão é a freqüência. Enquanto o número de leitores de jornais diários cai desde a década de 1960, o número dos que lêem jornais pelo menos uma vez por semana se mantém constante (pg58)

No livro você prevê que em 2043 não existirá mais leitores diários de jornais…Isso se deve a falta de confiança nos jornais?

Apesar de a circulação total dos jornais, em relação à proporção de domicílios, estar claramente em declínio desde 1920, na virada do século a maioria das pessoas ainda lia pelo menos um jornal quase todos os dias.  (p.135). A queda no número de leitores foi levada a sério pela primeira vez no final dos anos 1960, quando novas fontes de informação começaram a disputar, com sucesso, o tempo do tradicional leitor de jornais (p.48).

“O fato de que tanto a confiança quanto o número de leitores vêm diminuindo a uma taxa semelhante no mesmo período não significa que uma coisa seja a causa da outra” (p.27)

E o que os jornais podem fazer para aumentar a credibilidade e serem mais confiáveis?

“As comunidades cujos jornais apresentam mais erros do que a média têm cidadãos que confiam menos na imprensa”. (p.106). “A exatidão é um tijolo na construção da credibilidade do jornal a longo prazo”. (p. 109). “Os jornalistas precisam ter um conhecimento funcional dos assuntos que cobrem e precisam de programas de aprimoramento profissional constantes”. (pg. 113)

Em relação à notícia, “temos de processá-la de forma a fazer com que os leitores estejam dispostos a recebê-la. Se isso era verdade nos anos 1950, é ainda mais vital no ambiente repleto de informações do novo século”. (pg.242)

Ainda nesta seara dos erros no jornalismo, você comenta que eles estão relacionados, sobretudo, à falta de especialização da redação…

“O principal motivo citado pelas fontes, quando questionadas sobre por que se cometeu um erro, foi simplesmente que o repórter não entendia do assunto sobre o qual estava escrevendo. Entre as que detectaram erros, mais de uma em cada quatro fontes (29%) deu essa resposta”. (p. 110).
Não podemos deixar de lado a sobrecarga dos jornalistas. “Para cada repórter a mais cujo texto deva ser fechado por um único redator, a taxa de erro matemático sobe dois pontos percentuais”. (p. 112)

No livro você discute um aspecto importante: a legibilidade influencia o preço da publicidade. Gostaria que explicasse melhor esta tese.

“Se os jornais usam a dificuldade de leitura para afastar os mais pobres e menos educados, e se essa estratégia funciona, então os jornais mais difíceis de ler segundo a escolaridade do público devem cobrar mais caro pela publicidade (por mil exemplares em circulação). Seus anúncios deveriam valer mais porque o jornal atinge a nata do poder de compra do condado”. (p. 131)

Por outro lado, “quanto mais um jornal estica sua legibilidade para alcançar um público maior, mais cobra em publicidade por mil exemplares em circulação. Essa é uma refutação direta à teoria da segregação”. (p. 132)

E quais as alternativas para salvar o jornalismo?

“A melhor maneira de garantir o futuro dos jornais seria conservar sua influência e pagar os custos das experiências radicais necessárias para aprender quais novas formas de mídia são viáveis” (p. 26). “Aqueles que preservarão o melhor das tradições do jornalismo devem começar pela premissa de que isso é um negocio. A velha convenção de que os editores devem ser protegidos de qualquer informação sobre o lado empresarial está completamente ultrapassada”. (p. 217)

E como a internet pode influenciar esse processo de “salvação”?

“O modo mais óbvio de lidar com a tecnologia substituta é entrar no negócio substituto. Isso é mais difícil do que parece, se as capacidades e oportunidades da nova tecnologia ainda estão sendo descobertas. A internet pode fazer muitas coisas maravilhosas. Descobrir como essas maravilhas serão lucrativas exige uma longa série de experiências do tipo tentativa e erro, realizadas por organizações com alta tolerância ao fracasso”. (p. 229).
Penso de que o futuro do jornalismo na internet deve ser baseado na comunidade. “O modelo de influência precisa de uma esfera pública definida por laços econômicos e sociais”. (p.238)

Evidentemente existem ameaças e desafios para o jornalismo na era da informação…

“Se o velho jornalismo não conseguir adaptar-se, pessoas que sabem usar a nova tecnologia melhor do que os tradicionalistas – ou apenas estejam mais abertas a experimentar – começarão a nos substituir. No final, o jornalismo como um conceito distinto, formado por um conjunto próprio de habilidades e valores, corre o risco de perder sua identidade”. (p. 242)

E em relação ao futuro dos jornalistas? O jornalista irá desaparecer?

“As transformações, seja tecnológica ou mercadológica, levará os jornalistas a deixarem de ter um ofício e se tornaram profissionais liberais”. (p. 244). “Muitos editores de jornal ainda afirmam preferir contratar pessoas formadas em ciências humanas do que em jornalismo. A prática mostra o contrário. Uma pesquisa de 2000 revelou que 78% dos novos contratados pelos jornais são formados em jornalismo. As companhias de mídia não têm paciência para treinar funcionários totalmente crus, e aprenderam com a experiência que as faculdades de jornalismos são uma fonte confiável de mão-de-obra barata. A convergência das mídias vai aumentar sua dependência das escolas de jornalismo devido à grande demanda por habilidades técnicas específicas”. (pg. 244).

14

abril
2009
Time: 14:02
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