Pesquisa da Associação dos Jornais de Madri (ESP) aponta que a crise econômica afetou a autonomia informativa dos jornais, uma vez que a pressão dos anunciantes e instituições é cada vez maior. O estudo ouviu mil jornalistas de todo o país, ou seja, a opinião de quem faz o jornalismo.
Para 57,5% dos diretores dos veículos, a independência jornalística foi abalada pela crise. De 0 a 10, os jornalistas classificaram a autonomia da imprensa com a nota 4,6. De acordo com a pesquisa, a crise afetou também a credibilidade das notícias (a nota foi 3,1).
As condições de trabalho também sofreram com a crise. 29,4% dos jornalistas tiveram perda salarial e as demissões atingiram 16%. 41,3% dos entrevistados mencionaram a preocupação com a instabilidade profissional.
De 14 a 17 de dezembro acontecerá no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), cujo tema central é Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania era digital. Ainda restam oito vagas para sociedade civil que poderão ser disputadas a partir das 12 da próxima segunda (7) no site da Confecom.
O debate será dividido em três eixos temáticos “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: direitos e deveres”. A idéia é que os frutos dessas discussões indiquem caminhos para o desenvolvimento de políticas pública na seara da comunicação. Clique aqui e faça o download do Documento Referência da 1ª Confecom
Vale ressaltar que etapas estaduais foram realizadas nas unidades federativas, prévia da Confecom Nacional, e diveras propostas foram elaboradas, bem como delegados eleitos para defender as demandas de cada estado.
Na etapa baiana, preparatória para a Conferência Nacional, o Governador Jaques Wagner assinou decreto que cria um GT para elaborar anteprojeto de lei para regulamentação do Conselho Estadual de Comunicação, bandeira antiga dos movimentos sociais e sociedade civil.
Irei à Confecom e farei a cobertura de lá via twitter com resumos diários no blog.
Aprender a fazer jornalismo é aprender a produzir gêneros jornalísticos (…) Com as novas mídias, surgem novos formatos, se hibridizam, se embaralham os gêneros. A noção de gênero entra, mais uma vez, em cheque. Por isso mesmo passa a ser vista com mais atenção. Alguns gêneros podem acabar, outros podem aparecer. Alguns se transformam, outros se mantêm. Com as novas mídias, as práticas discursivas passam a experimentar e produzir novos formatos, que podem se instituir ou não em novos gêneros.”
O download pode ser realizado gratuitamente no site da Labcom
Índice
1 Introdução
I A noção de gênero
1 Da essência à forma: o olhar da literatura
2 Dos estudos linguísticos à chegada na comunicação
3 O domínio do funcionalismo: das funções no jornalismo impresso às propriedades da mídia no jornalismo digital
II Quadro Teórico
1 Intersecções: pragmática da comunicação e análise do discurso
2 O ato comunicativo: da pragmática à análise do discurso
3 A pragmática integrada e a teoria dos topoï
III Critérios de definição de gênero jornalístico
1 As lógicas enunciativas da FDJ
2 A equação da interpretação e sua força argumentativa
3 Jogos da identidade discursiva na FDJ
4 Potencialidades do mídium
IV Conclusões
Por uma outra classificação
Referências bibliográficas
Anexos
A Exemplos
B Entrevistas
De acordo com a Agecom, na etapa baiana, serão eleitos os 100 delegados que representarão o estado em Brasília, entre os dias 1º e 3 de dezembro, na conferência nacional. Os delegados participarão de uma série de discussões a partir do tema Comunicação: Meios para Construção de Direitos e Cidadania na Era Digital.
Vale destacar que a Bahia é pioneira nesse debate, pois foi o primeiro estado brasileiro a realizar a sua Conferência Estadual de Comunicação. O evento, realizado em agosto de 2008 reuniu mais 2 mil representantes de diversos setores da sociedade baiana, durante oito plenárias territoriais. Na última plenária 35 resoluções foram aprovadas.
O segundo dia do Intercom 2009 começou (para mim) com a palestra do André Lemos no painel Cultura Digital e Fronteiras do Contemporâneo cujo foco foi a relação das novas tecnologias com o espaço, territórios e mídia locativa.
Lemos argumentou que o espaço é construído socialmente e o território evidencia a dinâmica dos lugares. Com as novas tecnologias, ao contrário do que dizem alguns pesquisadores, o espaço urbano é reconfigurado, resultando em novos sentidos para o lugar. “Não há um aniquilamento do território”, diz.
“As novas tecnologias produzem nova espacialização com a utilização das tecnologias móveis. QR Code, mashups, anotações eletrônicas urbanas e realidade aumentada reconfiguram o espaço, o local e o tempo”
Neste vídeo o André Lemos explica este processo de territorializações e o conceito de território informacional:
Em seguida fui ao GP de Cibercultura (#gpciber) e a palestra do Alex Primo já estava no fim sobre celebridade, fama, blogs, redes sociais e afins. O debate foi bastante produtivo e a questão central: porque precisamos/queremos celebridades nas redes sociais? A melhor forma de entender é dar uma lida no debate que ocorreu no Twitter.
A Rebeca Recuero abordou as redes sociais e a sua relação com o espaço fisico, interações offline sob o conceito de sociabilidade. Na apresentação ficou claro que as redes sociais online retornam para o território físico, o que prova que a internet não aniquila os lugares. Um ponto importante abordado foi o de que as ferramentas (msn, twitter e afins) indicam a intensidade dos laços sociais.
Ainda sobre redes sociais, o Jorge Rocha, baixou o @exucaveiracover no Intercom e realizou uma excelente apresentação com um título provocativo “Como fazer amigos e influenciar pessoas 2.0: quando o capital social desvia para o capital de influência”
O capital de influência seria um desvio no processo comunicacional, onde minimiza-se o caráter inter-relacional da comunicação. O capital de influência significa o retorno da mediação, do gatekeeper. No vídeo fica mais fácil o entendimento do conceito:
Foi um dia muito rico em termo de debate, o que torna fazer qualquer resumo algo difícil. Eu acho que a escrita coletiva e debates que ocorreram via Twitter deve ser lido para compreender as idéias levantadas nos parágrafos acima.
Além das idéias, o melhor mesmo foi encontrar as pessoas e, particularmente, as que já seguia no Twitter, que assinei o feed dos blogs e li teses e artigos, como o @exucaveiracover, @anabrambilla, @dosvald, @alexprimo, @samadeu, @carolterra, @andrelemos, @fernandofirmino além da turma do Pará, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, do camarada de Roraima e os divertidos baianos que encontrei por aqui, dai…
Post do Periodismo Ciudadano resume o pensamento de duas das maiores referências no ciberjornalismo da atualidade, tanto pela qualidade dos produtos como por novas formas de negócios na atividade jornalística, sobre o pagamento de conteúdo no jornalismo como forma de superar a crise.
Pierre Haski, editor chefe do Rue89 e Turi Munthe, fundador do Demotix concordam que pagar para ter acesso ao conteúdo digital não é a melhor alternativa para o mainstream midiático. “O pagamento do conteúdo jamais cobrirá os gastos da produção”.
No Rue89, são três as fontes de renda: cursos para formação online para jornalistas, criação de sites para ong`s e entidades e micropublicidade. Mas Haski destaca algo que pode ser a “receita” para o sucesso: a qualidade e aproximação com o público.
“É estúpido pensar que o conteúdo na web precisa ser divulgado apenas mais rápido. É essencial qualidade na elaboração das matérias. Trabalhei no jornalismo tradicional durante 26 anos e as pessoas não confiavam nos jornalistas” sentencia.
Sobre a aproximação, o editor-chefe do Rue89 comenta “trabalhamos de forma transparente e mantemos o diálogo com nosso público, pois é ele que irá defender nossa companhia”.
Já Munthe, que tem como modelo de negócio no Demotix, a colaboração, firmou uma série de acordo para a comercialização da produção colaborativa para diversos meios de comunicação. O Demotix conta com 3.500 cidadãos-repórteres, em mais de 90 países.
“A redução dos correspondentes dos jornais em outros países potencializou a atividade do Demotix” explica Munthe, que acrescenta a ramificação dos cidadãos-repórteres, “que estão em todos os lugares e podem proporcionar novos olhares sobre os fatos”.
“Não há nada pronto na internet, tudo está em constante fase beta”. Esta foi a análise do Alexandre Inagaki, durante palestra realizada nesta quarta-feira, em Salvador, sobre “Mídias Tradicionais e Independentes em tempos de WEB 2.0″.
Inagaki destacou que a liberação do pólo emissor alterou a paisagem comunicacional, estabelecendo novas práticas e novas vozes na internet. Para ele, o grande potencial das mídias sociais/colaborativas/independentes foi dar transparência aos diálogos que já existiam antes da web.
Durante a palestra fora citado algumas experiências envolvendo o mainstream midiatico e as mídias sociais, tanto as negativas, como a campanha do Estadão contra a credibilidade dos blogs e positivas, com as positivas (ex. a adotação do twitter e afins para dinamizar o programa Roda Viva).
Sobre a relação do mainstream midiático com as novas mídias pontuou:
- Não basta ceder espaço para participação, é preciso fomentar o surgimento da interatividades genuínas;
- A relação dos mass media e público deve ser dialógica e não uma prestação de favor;
- Não há uma relacão jornalistas versus blogueiros, mas jornalistas e blogueiros produzindo conteúdo.
- É preciso “pertencer” à comunidades;
- Não é preciso inventar a roda, mas sim apropriar-se de ferramentas como Videolog, twitter, mashups.
No vídeo abaixo Inagaki analisa a blogosfera brasileira.
Ouça a íntegra da palestra (o som não estava muito bom, o que prejudicou a gravação, mas você conseguirá ouvir)
Esta é a conclusão do Repórteres sem Fronteiras (RSF), que divulgou ranking do estado da liberdade de imprensa em 173 paises.
De acordo com o relatório “No es la prosperidad económica, sino la paz, que garantiza la libertad de prensa”. A divulgação reforça a tese já defendida pelo Marcuse, na década de 70, da cultura do medo, onde a ameaça inimiga era algo constante e potencialmente provável, o que justificava um constante controle social e midiático.
O documento aponta que nos países em guerra, além do controle interno dos noticiários sobre a “atuação” dos exercitos nacionais, o local dos conflitos prejudica a rotina dos jornalistas.
Asesinatos, secuestros, detenciones arbitrarias y amenazas de muerte forman parte del lote diario de los periodistas quienes, además de verse atrapados en el fuego de los beligerantes con frecuencia son acusados de tomar partido.
O Brasil, que subiu duas posições no ranking (de 84º passou para 82º) é citado dentre aqueles onde os jornalistas sofrem com a violência no exercício das suas atividades. O blogs e as mídias colaborativas também são alvo de censura, de acordo com o estudo em todos os países.
Qual a relação do mainstream midiático com as novas mídias e quais os impactos oriundos desta senhora, a Web 2.0 na comunicação? Para debater tais questionamentos contaremos com a participação do jornalista e blogueiro Alexandre Inagaki, no dia 29 de outubro (quarta-feira), em Salvador.
O debate integra a Primeira Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNEB - SIEPEX, que terá como norte quatro eixos temáticos: Universidade e Equidade; Universidade e Desenvolvimento Local e Regional; Universidade e Educação Básica e; Universidade – Saúde e Meio Ambiente, interpretados a partir de sub-temáticas e eixos transversais.
Generosamente a UNEB, através da Pró-Reitoria de Pesquisa e Ensino de Pós-Graduação, em parceria com o Grupo BlogsBA colocará em pauta, durante o SIEPEX a temática: blogs, mídias independentes e web 2.0.
As inscrições são gratuitas, mas limitadas. Restam 11 vagas. Vai lá.
Serviço
O que? - Palestra com Alexandre Inagaki sobre Mídias Tradicionais e Independentes
Data: 29 de outubro
Local: Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Bairro: Cabula - Salvador/ Bahia
Yuri Almeida é jornalista, pós-graduado (especialista) em Jornalismo Contemporâneo (UniJorge) com a tese "A noticiabilidade no jornalismo colaborativo", blogueiro, escritor e adora sorvete de graviola.