Que o futuro do jornalismo passa pela sua relação com o público é óbvio e não apenas o diálogo, mas a produção colaborativa de conteúdo tod@s sabem. Entretanto, modelos desta relação são experimentados todos os dias e mais um para a lista é o Citizens’ Global Studio (CGS).
A proposta do CGS, que possui núcleos de produção em diversos países do mundo, é que a comunidade de colaboradores trabalhem a partir da demanda dos jornalistas, que propõem um tema aos cidadãos-repórteres que cuidam da apuração, levantamento de dados ou até mesmo a edição do material produzido.
Dei uma olhada no projeto, naveguei no site, vi algumas experiências, mas não gostei da filosofia “de cima para baixo” deste modelo de colaboração. Mais interessante seria o sentido bi-direcional desta troca, onde os próprios “voluntários” (como são intitulados os colaboradores), pudessem pautar também o mainstream midiático ou, a partir de uma demanda local, um jornalista profissional fosse “contratado” para auxiliar no processo produtivo.
De qualquer forma, a turma do Citizens’ Global Studio levantou um aspecto interessante, porém perigoso, nos modelos colaborativos de produção de conteúdo: o anonimato dos cidadãos-repórteres. Os colaboradores poderiam chegar aonde nenhum jornalista o faria, devido a sua identidade, e desenvolver melhor a pauta, bem como entrevistar fontes, e as pessoas tendem falar mais quando sentem-se iguais ao entrevistados e dar um olhar afeto a determinada realidade, já que (usando um clichê) só quem sente na pele é que sabe a dimensão do problema.
Outro aspecto curioso foi o reconhecimento da importância de um profissional no processo colaborativo Costumo dizer que apesar da mudança no fluxo da comunicação, da sociedade em rede, liberação do pólo emissor e demais elementos que contribuíram para a reconfiguração da paisagem comunicacional, a mediação é importante, mas sobre outros moldes: o jornalista precisa conectar o público ao conteúdo ou representação da realidade, mas também incentivar a conexão entre o público e se permitir adicionar novos olhares a sua narrativa. Para os idealizadores do CGS, a formação do jornalista e o conjunto de técnicas próprias a atividade é a alternativa para driblar a falta de credibilidade do conteúdo colaborativo.
“A união do jornalista com os cidadãos-repórteres reforça mutuamente a crebibilidade e relevância da notícia. Tal relação contribuirá para novas histórias e maior dinamicidade da informação, já que será uma escrita coletiva, cuja edição do produto final será realizada pelo jornalista, valorizando sua formação e conhecimento específico do profissional” (tradução livre), diz o texto do Citizens’ Global Studio.
Dica do Periodismo Ciudadano